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Texto para responder às questões 6 e 7.
Por uma reescrita da história literária brasileira
1 Não é possível falarmos acerca da elaboração de
uma nova história da literatura brasileira e da inserção das
escritoras mulheres nessa história sem antes entendermos
4 como se dá o processo de construção das histórias e do
cânone literários. O historiador também tem o poder de
legitimar o escritor e a literatura, pela inclusão e abertura
7 de espaço para análise e consideração de sua obra literária.
O contrário também é possível, pois, ao excluir escritores,
acaba silenciando uma produção que gradualmente vai
10 sendo esquecida, como foi o caso das escritoras
oitocentistas.
De acordo com David Perkins, uma história da
13 literatura se constrói por meio de um enredo, que é o
discurso feito a respeito de determinada produção. Assim,
os historiadores da literatura podem condenar escritores e
16 obras, podem defender estilos não apreciados e podem,
também, ser motivados por um conjunto de emoções
diferentes: “qualquer que seja o enredo imposto aos
19 eventos, o simples fato de serem organizados em forma de
narrativa pode, ele mesmo, preencher o desejo.” Tendo em
vista a consciência do desejo que motiva e dá vida a uma
22 memória literária, a questão é: até que ponto a intenção
organizadora subjacente ao processo de escrita de uma
história da literatura justifica as suas omissões e ênfases?
25 Mais especificamente: no intercâmbio dialético entre luz e
sombra, por que a literatura escrita por mulheres é sombra
constante nesse tipo de discurso?
28 Ao tratar de histórias da literatura, devemos sempre
considerar que elas não são totalidades permanentes, mas
sim objetos dinâmicos, pois encontram-se sob o signo da
31 contingência, em constante processo de redefinição. Uma
vez publicada a história da literatura, há possibilidades de
novas fontes, novos documentos históricos; o historiador,
34 em contínuas pesquisa e busca, pode descobrir um
documento inédito e, então, reformular sua hipótese. Essa
perspectiva da mobilidade e do constante processo de
37 redefinição serve-nos de conforto, na medida em que torna
possível e viável a iluminação sobre a literatura de autoria
feminina até hoje obnubilada nos discursos sobre a
40 produção literária brasileira. Entretanto, se, ao atualizar a
história da literatura, mantemos o padrão de silenciamento
dos textos de autoria feminina, torna-se impossível
43 repensar o cânone literário. Observa-se que, ironicamente,
algumas escritoras oitocentistas não foram excluídas em
vida, mas o esquecimento foi implacável com a exaltação
46 outrora experimentada por elas.
FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Júlia Lopes
de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de
mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022, págs. de 39 a 64, com adaptações.
Com base nas ideias apresentadas no texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
Por meio de linguagem denotativa, a autora trata do cânone literário utilizando-se de analogia entre as narrativas da história da literatura e as narrativas literárias, bem como da referência a diferentes períodos de produção de autoria feminina.
Certo
Errado