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I. São variados 0s nossos relógios ao longo da vida.II. O...

Atenção: Para responder às questões de números 8 a 14, baseie-se no testo abaixo.

Relógios

O dramaturgo Nelson Rodrigues - criatura de temperamento trágico e célebre autor de frases antológicas - terá dito um dia, talvez paternalmente: “Jovens, envelheçam”. Eis aqui um pedido desnecessário: a velhice virá, de qualquer modo, para quem conseguir envelhecer. Por outro lado, a juventude nunca se perde de todo: aposenta-se, fica guardadinha na vocação nostálgica do copo e ainda ajudará, ao fim de tudo, a compor os traços da boa melancolia, das lembranças que os seres crepusculares ainda consigam tonificar dentro de si.

Não fossem os variados impulsos do tempo, com o que iríamos nos distraindo? Todos passamos por várias idades, por vários tipos de relógio. Há os que adiantam as coisas, há os que as atrasam. E há os que param inteiramente fora de hora. Sem falar nos relógios exibidos que se acham especialmente importantes e insistem em cantar a cada quarto de hora.

Jovens, envelhecem” — eis a provocação desmedida que partiu de um senhor já vivido e definitivamente cético. As paixões juvenis têm pressa, meu caro Nelson Rodrigues, e exigem providências imediatas. Ninguém segura as ondas de um mar revolto.

E se fossemos falar do tempo da infância, quando nossa imaginação está no grau natural de nossas primeiras reflexões interrogativas? Eis aí um relógio que fica fazendo tique-taque, sem querer parar, em algum canto de alguma casa perdida...

Numa cena da minha mais antiga memória de menino, eu estava sentado na sarjeta, depois de ama chuva grossa, em frente de casa, com os pés na água da enxurrada que sequestrava meus olhos fixos, fazendo-me esquecer de mim mesmo e da necessidade de voltar a algum lugar, enquanto olhava infinitamente para os rebrilhos daquele riachinho escorregando rua abaixo. Creio que foi esta a primeira vez que entrei num tempo especial, um tampo esvaziado de tempo. Uma espécie de relógio sem ponteiros. Muito tempo depois, acabei envelhecendo, sim, seu Nelson Rodrigues.

(MEDEIROS, Alcindo Fortunato. Casos de almanaque, a editar)

I. São variados 0s nossos relógios ao longo da vida.

II. O sentido único de todos é a passagem inapelável do tempo.


As afirmações acima encontram-se integradas de modo coeso e coerente neste período único:


A

Ainda que ao longo da vida variem os nossos relógios, a inapelável passagem do tempo é seu sentido único.


B

Desde que seja inapelável o único tempo que passa, são os nossos relógios que variam ao longo da vida.


C

Não obstante o sentido dos mesmos seja a passagem do tempo, ao longo da vida variam os nossos relógios.


D

Variam nossos relógios ao longo da vida, sendo pois inapelável que a passagem do tempo faça seu sentido.


E

O único e inapelável sentido do tempo é passar nos nossos relógios, aonde se dá a variação da vida.