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Texto:
Crescimento Zero
Alex Grijelmo
Parece difícil que nos resignemos a não crescer. O crescimento de qualquer de nossas posses forma parte das ideias positivas. Hão de crescer as crianças, os músculos, os seios, nossos negócios e, obviamente, também a economia. Este caso é, porém, o mais transcendental, porque mesmo quando a economia não cresce, dizemos que cresceu: porque “cresceu zero”.
O eufemismo que está presente em “crescimento zero” consegue unir um conceito positivo (crescimento) com outro negativo (o não-crescimento), para neutralizar o efeito deste (e, além disso, se apela a um número que não é exatamente negativo: o zero).
Os economistas e os políticos empregam muito bem esses vocábulos para contentar-nos, mesmo quando a economia decresce, porque então falam de “crescimento negativo”.
Vejamos o lado bom da coisa, porque devemos agradecer o fato de que as pessoas das ciências tenham sabido escolher muito bem as palavras, ainda que seja para esconder os números.
Na frase “Os economistas e os políticos empregam muito bem esses vocábulos para contentar-nos”, a preposição “para” tem o mesmo valor que em:
Foi para a cidade a fim de comprar sapatos.
Veio para casa tarde da noite.
Para ele, nada disso tem valor.
Decidiu trabalhar para pagar seus estudos.
Eles moravam para além de Campinas.