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“Somos um povo latino-americano que vive para a família...

Texto 2

A CRÔNICA FAMÍLIA

Silvio Eduardo Crisóstomo

Nos últimos dias revi quatro filmes que têm a família como tema central: Mamãe faz 100 anos (de Carlos Saura – 1979), Parente… é Serpente (de Mario Monicelli – 1992), Footnote (de Joseph Cedar – 2012) e a obra-prima, o belíssimo Interiores (de Woody Allen – 1978). Juntos formam um amplo e realista espectro de conflitos no seio das relações familiares. Com despretensão e fugacidade, dou minha contribuição para o tema a partir de hábitos conhecidos por todos.

As palavras “casa” e “família” são sinônimos na gramática brasileira, representando a base dos laços afetivos hereditários e patrimoniais, que indicam rumos, interesses e ventura dos integrantes dessa estrutura nuclear. A casa/família é mãe primordial de qualquer sociedade, foco de harmonia e desarmonia em seu contexto público e privado. Estou falando aqui da família judaico-cristã-sincrética brasileira, seja hétero ou homotransafetiva. Família é família.

Somos um povo latino-americano que vive para a família, para os nossos. O afeto (genuíno ou mimético) é um bem e uma segurança, um PIB familiar.

Um exemplo arraigado. A parentela cumpre anualmente um extenso calendário de ritos e comemorações. São datas significativas no âmbito pessoal, religioso e comercial, tendo o objetivo principal (acreditamos que sim) de fomentar a união e paz (muitas vezes compulsória) de seus entes, bem como recuperar as lembranças geracionais, e, não menos importante, a troca de agrados e presentes.

Nas situações mais prosaicas é possível observar as discordâncias, os conflitos, o “não dito”, as proibições no interior da família.

Com olhares fixos, fugidios, caretas inofensivas, sussurros aqui e ali, o clã demonstra para si que algo está fora do lugar. Mesmo assim as tradições são cumpridas à risca. São compromissos obrigatórios e exigem a submissão de todos: casamentos, batizados, aniversários, chás de bebê, enterros…. Dia das mães, dos pais, das crianças, Páscoa…. O churrasco do final de semana, as festas na escola dos filhos, Natal, Ano-Novo, lentilhas e tudo mais. Sem contar os aniversários dos decanos da família (alguns desses, mal conhecemos).

Com a tecnologia na palma da mão, a relação umbilical exercitada pela família nuclear para com os seus potencializou-se a níveis de “espionagem e controle” 24 horas.

(...)

(Fonte: https://www.plural.jor.br/colunas/silvio-crisostomo/a-cronica-familia/ - Adaptado)

“Somos um povo latino-americano que vive para a família, para os nossos. O afeto (genuíno ou mimético) é um bem e uma segurança, um PIB familiar.

Um exemplo arraigado. A parentela cumpre anualmente um extenso calendário de ritos e comemorações. (...)”


Em relação à parte destacada no trecho acima, transcrito do texto 2, é INCORRETO afirmar que


A

trata-se de uma frase nominal, não verbal.


B

“arraigado” é sinônimo de “enraizado, aferrado”.


C

apesar de iniciar um novo parágrafo, seu sentido está atrelado ao do parágrafo anterior, funcionando como uma continuidade deste.


D

“exemplo” é uma palavra de natureza substantiva.


E

ela completa o sentido da forma verbal “cumpre”, que aparece depois da parte destacada.