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Leia o poema a seguir:
Aula de Português
A linguagem
na ponta da língua
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Esquecer para lembrar. Rio de Janeiro: Record, 1979.)
Considerando-se os movimentos literários assim como os paradigmas estéticos a eles associados, pode-se afirmar que, em relação ao poema “Aula de Português”:
Conforme os modernistas da geração de 1945, busca-se devolver aos poemas o rigor formal até então esquecido.
Trata-se de uma produção pertencente à primeira geração modernista, marcada pela redescoberta da realidade brasileira.
Drummond procura resgatar o uso e ensino da norma padrão da língua expressando-se sobre sua importância em todas as formas de comunicação.
Inclui-se entre a produção literária da segunda geração modernista em que, explorando a função emotiva da linguagem, expressa contrastes entre marcas de variação de formalidade e informalidade.