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Assinale a alternativa que indica a correta classificação...

Por trás das palavras

Por Cláudio Moreno


  1. Muita gente pensa que uma palavra só transmite aquilo que sobre ela está registrado no
  2. dicionário. Ledo engano. Os semanticistas modernos ensinam que aquilo que chamamos de
  3. significado de um vocábulo é divi__ível em duas parcelas: a primeira, mais óbvia, é a sua
  4. denotação, exatamente a parte de seu significado que se refere ao nosso mundo (concreto ou
  5. imaginário). No fundo, quando procuramos uma palavra no dicionário, a informação que vamos
  6. encontrar é basicamente o seu valor denotativo.
  7. Em alguns vocábulos, no entanto, o significado não se resume .... esse valor denotativo; a
  8. ele pode agregar-se a conotação, que é um valor adicional, uma sutileza semântica que a palavra
  9. carrega consigo. Essa segunda parcela, não tão óbvia (muitas vezes confundida com sentido
  10. figurado), engloba todas as outras informações que a palavra pode transmitir, o que inclui as
  11. avaliações subjetivas, as intenções depre__iativas, as diferenças regionais, de faixa etária, de
  12. classe social e muitas mais. Quem escreve “guampa” em vez de “chifre” está se referindo
  13. denotativamente ao mesmo objeto, mas está ao mesmo tempo informando que pertence a uma
  14. determina região do Brasil. É isso que explica, também, por que alguém resolve escrever na
  15. vitrine de sua loja a palavra “sale” em vez de “liquidação”, ou mesmo o brasileiríssimo “torra-
  16. torra”. Ao escolher “sale”, ele está dizendo algo além do sentido costumeiro de liquidação:
  17. primeiro, que é uma oferta para gente fina (ou que pensa que é), aquele grupo para o qual o
  18. uso desse vocábulo estrangeiro diminui a humilhação de se sentir atraído por uma rebaixa dos
  19. preços, como qualquer plebeu. Se escolher “torra-torra”, ao contrário, estará passando
  20. implicitamente a mensagem de que o consumidor mais modesto pode entrar na loja sem medo,
  21. pois vai encontrar preços à altura de seu bolso.
  22. É por isso que dizemos que só existem sinônimos parciais. Não posso trocar livremente uns
  23. pelos outros sem que haja, como consequência, a perda ou o acréscimo de uma nuança de
  24. sentido. Cada sinônimo carrega consigo outros conteúdos que vão ser captados pelo destinatário
  25. — e .... este contrabando chamamos de conotação. Entre dois sinônimos, um pode ser de uso
  26. mais geral do que o outro (velho x idoso); pode implicar aprovação ou censura moral, enquanto
  27. o outro é neutro (frugal x econômico); pode ser mais profissional do que o outro (óbito x morte);
  28. pode ser mais literário do que o outro (a__az x bastante); mais coloquial do que o outro (careca
  29. x calvo); pode marcar gerações diferentes (minha avó chamava o comercial de TV de “reclame”)
  30. — e assim por diante.
  31. É claro que essas pequenas (mas importantes) diferenças não estão nos dicionários. Como
  32. conchinhas do mar, elas não vêm em pacotes de ocasião ou conjuntos pré-fabricados: se
  33. mantivermos sempre acesa a nossa atenção, vamos encontrá-las aqui e ali nas praias de nossas
  34. leituras, formando uma coleção valiosíssima que nos permitirá reconhecê-las quando as
  35. reencontrarmos na pena de algum autor. Machado, por exemplo, era mestre na escolha do
  36. vocábulo certo. No seu conto Uns Braços, por exemplo, para caracterizar a boçalidade do
  37. solicitador Borges, descreve-o .... mesa, na hora do almoço: “Durante alguns minutos não se
  38. ouviu mais que o tinir dos talheres e o ruído da mastigação. Borges abarrotava-se de alface e
  39. vaca”... E precisa mais do que isso?

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica a correta classificação do sujeito da forma verbal “estão” no trecho “É claro que essas pequenas (mas importantes) diferenças não estão nos dicionários”.


A

Simples.


B

Composto.


C

Oculto.


D

Indeterminado.


E

Oração sem sujeito.