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Texto para as questões de 1 a 10
Governo federal regulamenta Lei Padre Júlio Lancellotti e confirma canal de denúncias para ‘arquitetura hostil’
Decreto formaliza proposta que proíbe construções feitas para afastar dos espaços livres de uso público pessoas em situação de rua. Levantamento aponta que 242,7 mil pessoas vivem nas ruas no Brasil; capital paulista representa um quarto dessa população
1 O governo federal publica o decreto que regulamenta a chamada Lei Padre Júlio Lancellotti (Lei n.o14.489/2022).
A medida proíbe a aporofobia, por meio da “arquitetura hostil”, contra pessoas em situação de rua em espaços públicos. A
regulamentação da Lei está listada no plano para a população em situação de rua, também divulgado após um prazo de 120
4 dias dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) .
Havia uma previsão que a regulamentação fosse publicada em junho. A tramitação da proposta por vários ministérios,
como Direitos Humanos, Cidades e Casa Civil, demorou mais que o esperado. A proposta que ficou conhecida como Lei Padre
7 Júlio Lancellotti proíbe as construções feitas para afastar dos espaços livres de uso público pessoas em situação de rua.
O Ministério dos Direitos Humanos vai criar um canal de denúncias pelo Disque 100, para o envio de imagens e de
informações pela população. Entre os exemplos de arquitetura hostil, estão os espetos pontiagudos instalados em fachadas
10 comerciais, pavimentação irregular, pedras ásperas, jatos de água, divisórias em bancos de praças e paradas de ônibus,
cercas eletrificadas ou de arame farpado e muros com cacos de vidro.
Pelo cronograma, o governo federal também prevê que, até dezembro de 2024, seja concluído o pacto com os
13 municípios para a adequação ao decreto que regulamenta a Lei e também a destinação de R$ 100 mil para a elaboração de
uma cartilha sobre arquitetura hostil a engenheiros, arquitetos e urbanistas.
Um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com base no CadÚnico,
16 aponta que 242,7 mil pessoas viviam nas ruas no Brasil até outubro deste ano (2024). A capital paulista representa um quarto
dessa população, com 59,8 mil pessoas em situação de rua.
Em 2021, o padre Júlio Lancellotti, religioso e coordenador da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo, viralizou ao
19 protagonizar uma cena em que tentava quebrar pedras instaladas pela prefeitura de São Paulo embaixo de um viaduto. No
mesmo ano, o papa Francisco também denunciou a chamada “arquitetura hostil” contra os mais pobres.
O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. No entanto, o então presidente Jair Bolsonaro (PL)
22 vetou a proposta, sob o argumento de que ela feria “a liberdade de governança da política urbana”. Depois, no fim do
ano passado, o Congresso derrubou o veto, mas a medida ainda depende de regulamentação para ser colocada, de fato,
em prática.
25 O diretor de promoção dos direitos da população em situação de rua do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Leo Pinho, explicou que, desde o começo deste ano (2024), a pasta assumiu as tratativas e a articulação com
outros ministérios, em especial o das Cidades, para regulamentar a Lei.
28 Em uma segunda etapa, os técnicos estiveram na cidade de São Paulo para ouvir o próprio Padre Júlio e sua equipe,
que monitora denúncias de aporofobia, com sugestões sobre caminhos que facilitem o acesso da população e o envio de
denúncias de situações de arquitetura hostil, com fotos, vídeos e endereços. Por isso, a decisão de estabelecer um canal para
31 o envio das queixas pelo Disque 100.
Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).
Na linha 18, a forma verbal “viralizou” classifica‑se como
bitransitiva.
intransitiva.
transitiva direta.
transitiva indireta.
não nocional.