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Texto para responder às questões de 1 a 7.
Quem foi Zumbi dos Palmares e a história do Dia da Consciência Negra
Estabelecer a origem e outros aspectos históricos da vida de Zumbi não é uma tarefa fácil. As evidências históricas não são precisas, de forma que existem várias versões diferentes sobre sua origem. A mais famosa, provavelmente, é a que fala que Zumbi dos Palmares nasceu em 1655, na região da Serra da Barriga, local que hoje é conhecido como o estado de Alagoas, no nordeste do Brasil. Nascido livre, quando criança foi capturado por bandeirantes, e posteriormente entregue a um padre que o ensinou português e a religião católica. Zumbi escapou e foi encontrar refúgio no Quilombo dos Palmares, comunidade autônoma formada por ex-escravizados e até indígenas. Sucedeu Ganga Zumba (algumas versões contam que ele era seu tio), líder do quilombo na época, se tornando a principal figura de autoridade na região, e um líder para a resistência da comunidade. Só tem um problema nessa história toda: ela muito provavelmente não é verdade.
De acordo com Jean Marcel Carvalho França, historiador, professor na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Estadual Paulista, e coautor do livro “Três vezes Zumbi: A construção de um herói brasileiro”, são bem escassas quaisquer informações a respeito da vida de Zumbi. “É difícil saber, porque você não tem descrições diretas do Zumbi. Você tem descrições das batalhas. Você tem descrições das organizações do Quilombo. Agora sobre o Zumbi especificamente você não tem quase dado nenhum”, aponta Jean.
Parte dessa história sobre Zumbi ter sido capturado durante a infância também se baseia em informações não comprovadas, com os historiadores contestando as afirmações. Isso porque o autor delas se baseou em supostas cartas analisadas no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Portugal, apesar de nunca ter revelado nenhuma delas.
Além disso, parte dos relatos encontrados sobre o líder de Palmares na época (entre 1678, até a morte de Zumbi, em 1695), são de origem geralmente europeia, graças às sucessivas invasões portuguesas e holandesas na região.
Sabe-se que Zumbi de fato sucedeu Ganga Zumba, por exemplo, mas não há qualquer vestígio sobre a relação familiar entre os dois. (...) O próprio nome Zumbi ainda é alvo de controvérsia. Os historiadores não têm certeza se esse se refere a um nome próprio ou uma espécie de título adotado pelos líderes do quilombo, com alguns acreditando hoje nas duas hipóteses. Para Jean, esse é um dos principais enigmas, já que não se tem quase nenhum dado sobre a figura do personagem Zumbi: “O primeiro a escrever sobre isso foi o [historiador] Rocha Pita, no seu livro História da América Portuguesa. Ele disse que talvez zumbi, numa língua africana, seja uma designação militar específica, uma designação de comando.” (...) Apesar de algumas imprecisões, é fato que a figura de um líder quilombola durante o período realmente existiu. Isso pode ser comprovado através de relatos em cartas, como a menção em uma carta do imperador Dom Pedro II, além de uma espécie de carta de condenação de quando Zumbi foi “morto”. Na verdade, a data do dia 20 de novembro de 1695, foi quando seu corpo foi apresentado como troféu de guerra na Bahia, revelando à população que o “conflito” havia sido encerrado. Algumas versões, como do próprio Rocha Pita, apontam que ele se suicidou, enquanto a própria carta diz que ele foi atocaiado e morreu em combate. (...)
O Dia da Consciência Negra
Celebrado no dia 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra foi uma data proposta para conscientizar a população sobre a importância que a cultura afro-brasileira [tem] no país, bem como refletir sobre a sua história e os reflexos do racismo e desigualdade nessa população. Ela foi incluída no calendário escolar em janeiro de 2003, mas foi somente em 10 de novembro de 2011 que foi instituída oficialmente como uma data comemorativa por todo o país. A data foi escolhida justamente para desvincular as comemorações em torno da luta pela libertação dos negros de uma figura branca e aristocrática, como princesa Isabel e o 13 de maio. Inspirado na figura de Tiradentes, a data escolhida foi justamente a da “morte” de Zumbi dos Palmares, herói da liberdade negra contra a opressão e racismo.
Revista Superinteressante.
Adaptado. Disponível em <https://super.abril.com.br/historia/quem-foi-zumbi-dos-palmares-e-a-historia-do-dia-da-consciencia-negra/>
A colocação pronominal enclítica no excerto “Sabe-se que Zumbi de fato sucedeu Ganga Zumba” se justifica, segundo a gramática normativa, porque:
trata-se de um verbo conjugado no presente do modo indicativo.
é uma construção impessoal.
em início de período usa-se ênclise, e não próclise.
o pronome ‘se’ como partícula apassivadora requer ênclise.
a presença da conjunção integrante subsequente não permite próclise ou mesóclise.