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A colocação pronominal atende à norma-padrão em:

Leia o texto para responder às questões de números 01 a 04.


O homem da Rabeca


A casa para onde me mudei nada tinha de confortável e resguardada. Somente alta e mais clara que o primeiro andar da rua do Sol.

Devia já ser velha; os tetos baixos e o soalho carunchoso tremiam em os chinelos arrastando. Pelos buracos do rodapé, as baratas saltavam de noite aos rebanhos, em cata de alimento. Mas de manhã a coisa mudava – rompia alegremente o sol, como um companheiro folgazão, e no parapeito da varanda, as pombas do marceneiro vinham arrulhar beijando-se, com esse movimento coquette1 de cabecinhas graciosas. Um pé de eloendro florido chamava as abelhas, abrindo-lhes as corolas róseas num cândido aroma de beijos, e em anfiteatro, alargando-se da Baixa ao cimo das colinas de uma banda, e até ao azul do rio da outra, a casaria da cidade, liberta dos últimos vapores da noite, expunha as suas fachadas brancas, monotonamente cortadas de janelas, sobre que os tetos caíam em pirâmides alongadas, e de que as chaminés furavam agressivamente aqui e além, fumando na risonha luz recém-nascida.

A primeira coisa que pude notar na vizinhança foi que não havia uma cara bonita. Em baixo, na loja do prédio fronteiro, a mulher do lugar, suja e gasta, era repelente com os seus enormes sapatos de ourelo e o corpete do vestido constantemente descerrado. No primeiro andar, engomadeiras com cara de homem, cabeludas e amarelas, vinham raro à janela para lançar olhares oblíquos sobre as casas alheias. Por cima era uma mestra – ao lado um veterano eternamente à janela, de barrete azul, fumando no seu cachimbo disforme. Na rua estreita e tortuosa, todos se conheciam; crianças brincavam descalças e ranhosas, tocando latas; de manhã era uma gralhada de janela para janela sobre a carestia das coisas e as carraspanas dos maridos – e o mesmo padeiro servia as famílias, demorando-se de palestra pelas escadas.



(Fialho de Almeida, “O homem da Rabeca”. Em: Massaud Moisés. A Literatura Portuguesa Através Dos Textos, 2012. Adaptado)

1 sedutor

A colocação pronominal atende à norma-padrão em:


A

A casa devia já ser velha; os tetos baixos e o soalho carunchoso tremiam quando me movimentava, arrastando os chinelos.


B

Na rua estreita e tortuosa, todos se conheciam, e o mesmo padeiro servia as famílias, sempre demorando-se de palestra pelas escadas.


C

Tão logo mudei para a nova casa, a primeira coisa que pude notar na vizinhança foi que não encontrava-se uma cara bonita, por ali.


D

Pelos buracos do rodapé, apareciam as baratas, que espalhavam-se de noite aos rebanhos, em cata de alimento para sobreviverem.


E

Me mudei para uma casa que nada tinha de confortável e resguardada, era apenas alta e mais clara que o primeiro andar da rua do Sol.