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Leia o texto para responder às questões de números 01 a 05.
Ando de carro pelo interior de São Paulo. Pelas estradas, vou contemplando vastos campos de cana-de-açúcar, café, laranja e até seringueiras. Nenhuma daquelas plantas é dali. Vieram de outros continentes ou de outras partes do Brasil. Adaptaram-se a uma vontade externa que as deslocou da sua área de origem. Sabemos que a agricultura em larga escala de espécies não originais cria riquezas, mas pode conter riscos.
Educar-se é um exercício agrícola. Precisamos eliminar ervas daninhas, os hábitos pouco produtivos. Necessitamos valorizar habilidades naturais (espécies nativas) e saber quais novas merecem o cultivo. Tudo deve ser irrigado, protegido de riscos e pragas.
A maior erva daninha de hoje é a falta de foco. O vilão? O celular, com seus vídeos sedutores e mensagens contínuas. Eu me sento um minuto para ver algo e, de repente, vejo que se passou meia hora. A falta de foco mata qualquer planta promissora. O viajante Saint-Hilaire advertia há quase dois séculos: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. A praga do celular é pior do que a da formiga voraz. O celular come pela raiz o tempo. Reaja, antes de ficar seco como um tronco abandonado.
Voltando à cena do interior de São Paulo. Trazer uma espécie exótica atrai alguns riscos ao ambiente. São necessários estudos. Nem tudo é possível. A manga e a jaca adaptaram-se tanto ao Brasil que parecem ter nascido aqui. A cana-de-açúcar fez um longo trajeto da Ásia para o sul da Europa, e ilhas atlânticas, até ocupar imensos espaços no território brasileiro. Se você quiser introduzir um hábito novo na sua vida, saiba que a adaptação será deveras complicada. É necessário persistência, reflexão e bastante cautela. Criar foco, desenvolver disciplina de trabalho, conter acessos de raiva, superar preconceitos: tudo implica muito cuidado. A tentação da volta é realmente constante. O bom agricultor sabe que não existe domingo ou feriado para uma excelente safra. A natureza é generosa e exigente. Tenha esperança de equilibrar as suas virtudes naturais e boa colheita.
(Leandro Karnal. Reaja, antes de ficar seco como um tronco. www.estadao.com.br, 08.11.2023. Adaptado)
No trecho “O viajante Saint-Hilaire advertia há quase dois séculos…” (3º parágrafo), a forma verbal do vocábulo destacado foi empregada para indicar uma ação
que ocorreu no passado mais de uma vez.
que ocorreu no passado pontualmente.
hipotética, que poderia ter ocorrido no passado.
no presente, dependente de outra ação no passado.
no passado, anterior a outra que também ocorreu no passado.