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Alexandra Boing, epidemiologista da Universidade Federal de...

Texto para as questões de 1 a 14.


Condições pós-covid ainda têm diagnóstico e tratamento difícil no Brasil


1 “Até hoje sinto fraqueza pulmonar, minha respiração não é igual e picos de esquecimento e muito cansaço físico”, diz

a esteticista e cosmetóloga Edilaine Lopes Lazo, 44, que teve covid cinco vezes entre 2021 e 2023. Paciente oncológica, ela

teve as condições pós-covid, antes chamadas de covid longa.

De acordo com especialistas ouvidos pela Folha, esses sintomas não dependem da gravidade da infecção e têm um

5 espectro de diagnóstico já bem conhecido. O rastreamento de pacientes, porém, é essencial para aprimorar o atendimento.

“A situação da covid hoje é relativamente mais tranquila, mas não é totalmente controlada. Os casos continuam

existindo, as vacinas controlam a gravidade da doença, mas não controlam de uma maneira completa a infecção”, afirma o

neurologista Augusto Penalva, professor honorário do Instituto Emílio Ribas.

O médico afirma que os protocolos, sobretudo os de tratamento, precisam ser monitorados para acompanhar a evolução

10 da doença e melhorar o atendimento de pacientes.

“Muito pouco foi implementado do ponto de vista diagnóstico em saúde pública. Tem algumas estratégias diagnósticas

e terapêuticas, mas ainda são extremamente complexas para uma implantação em grande escala”, afirma o médico.

Penalva diz que ja existem monitoramentos importantes, como o NeuroCovBr, mas a diversidade de respostas dos

indivíduos ao vírus demanda a maior cobertura possível. O NeuroCovBr acompanha cem pacientes de três macrorregiões do

15 pais e conta com profissionais de oito instituições.

Alexandra Boing, epidemiologista da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenadora da Comissão

de Epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), reforça que a covid ainda é um problema de saúde

no Brasil. “Para ilustrar a gravidade da situação, em 2024, houve mais de 300 mortes por dengue, enquanto a covid-19 foi

responsável por mais de 1,500 mortes até agora, média de 200 por semana”, aponta Boing.

20 Para a epidemiologista, há um acúmulo de desafios antigos e novos somados à atual crise de dengue. “E crucial

melhorar a vigilância em saúde, incluindo a expansão da testagem disponível ao público, vigilância genômica, vacinação e

melhoria da qualidade do ar interno”, diz a especialista.

Não existem dados sobre quantos pacientes infectados podem ser afetados pelas condições pós-covid, mas a

estimativa dos estudos, segundo Boing, indica algo entre 10% e 40% dos casos. Na cidade de São Paulo, por exemplo, em

25 2022 houve a notificação de 557 pessoas com o quadro e, em 2023, 358.

De acordo com o Ministério da Saúde, as condições pós-covid são uma gama de manifestações clínicas após infecção

aguda que podem ser definidas como sintomas que continuam ou se desenvolvem quatro semanas ou mais após o contato

inicial com Sars-CoV-2 “e não podem ser justificadas por um diagnóstico alternativo”.

“A maior parte dos pacientes com condições pós-covid melhora progressivamente ao longo do tempo, mas alguns

30 podem apresentar condições pós-covid com meses ou até mesmo anos de duração”, disse a pasta. Um consenso da

Organização das Nações Unidas (ONU), de acordo com o ministério, instituiu ainda que é impossível prever quanto tempo

pode durar o quadro.

A covid pode provocar de forma prolongada, por exemplo, distúrbios neurológicos (perda de olfato e paladar, de

memória e concentração, dor de cabeça), cardiovasculares e respiratórios.

35 Edilaine Lazo conta que seus sintomas são “terríveis”, mas que, devido à condição de baixa imunidade e de alergias

a medicamentos preexistentes, o tratamento dela foi apenas muito repouso, alimentação, antibiótico e remédio para dor.

Atendida em todas as fases pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a paciente afirma que foi sempre bem amparada e não

houve demora no tratamento.

O ministério diz que o governo federal tem desenvolvido e financiado pesquisas clínicas e inquéritos de base

40 populacional em parceria com instituições e universidades “para melhor estimar a frequência dessas condições”. Um exemplo

é o estudo Epicovid 2.0, feito em parceria com a Universidade Federal de Pelotas e cuja coleta de dados está prevista para

iniciar na segunda semana de março.

Outra frente é ampliar as coberturas vacinais, que em 2024 incluiu a vacina da covid no Calendário Nacional de

Vacinação para aumentar a proteção de bebês com mais de seis meses e crianças menores de cinco anos.

45 Para Boing, a melhor forma de evitar as condições pós-covid ainda é prevenir a infecção por meio da vacinação e

medidas não farmacológicas, como a ventilação dos ambientes e o manejo adequado de pacientes, com investimento em

pesquisa para entender a patogênese da covid. .

Penalva também aposta na vacinação para assegurar quadros cada vez mais leves e com menor invasão viral. “E o

grande segredo para você evitar tanto a doença aguda, quanto a doença crônica ou complicações mais tardias da infecção

50 pela covid”, diz o neurologista.

(Danielle Castro. https:/Avww1 folha.uol.com br. 10.mar.2024)

Alexandra Boing, epidemiologista da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenadora da Comissão de Epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), reforça que a covid ainda é um problema de saúde no Brasil. (linhas 16 a 18)


No período acima grafou-se corretamente tanto a sigla quanto o acrônimo. Assinale a alternativa em que isso igualmente tenha acontecido.


A

Uern


B

Ufmg


C

Onu


D

Ong


E

Puc