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Leia atentamente o texto a seguir e responda às questões de 1 a 10.
'DNA saltador' ajudou ancestrais do ser humano a perder a cauda
A perda da cauda, uma transformação anatômica
fundamental para o surgimento da linhagem dos seres
humanos, pode ter sido desencadeada por um pedaço de
DNA que é capaz de "saltar" de um ponto a outro do
5 genoma, afirma um novo estudo feito por pesquisadores
nos Estados Unidos. Análises de material genético e
experimentos com camundongos corroboram a hipótese,
embora ainda não esteja claro por que alguns primatas
ficaram sem rabo a partir de uns 25 milhões de anos atrás.
10 A nova pesquisa sobre o tema acaba de sair na revista
especializada Nature. A equipe de cientistas foi liderada
pelo trio Bo Xia, Itai Yanai e Jef Boeke, todos ligados ao NYU
Langone Health, centro de pesquisa e atendimento médico
da Universidade de Nova York. Curiosamente, segundo
15 entrevista de Xia à Nature, tudo começou quando ele
próprio machucou sua "cauda" – ou, pelo menos, o que
resta dela no pesquisador e nos demais seres humanos.
Trata-se, é claro, do cóccix, um conjunto de vértebras
rudimentares no fim da coluna que corresponde
20 justamente a uma forma muito encurtada e modificada do
rabo dos demais primatas. O cóccix não é exclusivo do
Homo sapiens, estando presente também nos grandes
símios – gibões, orangotangos, gorilas e chimpanzés –, que
também são primatas sem cauda.
25 Xia machucou o cóccix andando de táxi e logo se
recordou da curiosidade que tinha sobre o tema ainda
criança, quando perguntou certa vez: "Onde está o meu
rabo?". Com o sinal verde de Yanai e Boeke, seus
orientadores de doutorado, ele se pôs a vasculhar bases
30 públicas de dados genômicos. Seu plano era analisar
trechos de DNA que pudessem estar ligados à formação da
cauda, ou à ausência dela.
De um lado, ele se concentrou em genes que têm
mutações (alterações aleatórias no DNA) relativamente
35 bem conhecidas em camundongos de laboratório,
mostrando que elas afetam mesmo o desenvolvimento do
rabo. De outro, ele verificou se esses mesmos genes tinham
alterações exclusivas de grandes símios e seres humanos, o
que apontaria uma relação mais provável com a falta de
40 cauda nessa linhagem.
O curioso é que ele não achou trechos de DNA
promissores nas chamadas regiões codificadoras do
genoma – ou seja, aquelas que contêm o código para a
produção de componentes de proteínas. Durante muito
45 tempo, acreditou-se que as regiões codificadoras eram as
mais importantes para o desenvolvimento do organismo e
para a evolução dos seres vivos, mas há cada vez mais
indícios de que elas são só uma parte desses processos. E,
de fato, os autores do estudo identificaram que a chave
50 para o enigma poderia estar numa região não codificadora.
Trata-se de um pedaço de DNA com cerca de 300
"letras" químicas, classificado como um "elemento Alu" –
um tipo de elemento genético móvel ou transponível, ou
seja, que consegue copiar a si mesmo ou mudar de posição
55 ao longo da "biblioteca" do genoma. Os elementos Alu
parecem ter sido tão hábeis nessa tarefa no passado da
nossa linhagem que hoje compõem cerca de 10% do DNA
humano.
Acontece que o elemento Alu identificado por Bo Xia
e seus colegas aparece justamente na sequência de DNA de
60 um gene importante para o desenvolvimento da cauda.
Além disso, ele é exclusivo dos grandes símios e dos seres
humanos. Em tese, ele não deveria afetar o funcionamento
desse gene, porque o elemento Alu está numa região dele
que é "cortada" durante o processo de leitura do gene pela
65 célula. É mais ou menos como se este parágrafo contivesse
um trecho entre colchetes, dizendo algo como: [ignorar
esta frase na hora da leitura].
Experimentos feitos pela equipe, porém, mostraram
que não é isso o que acontece. No processo de leitura do
70 gene pela célula, esse elemento Alu interage com outro
parecido, localizado a certa distância dele. E o resultado é
que parte da mensagem contida no gene é eliminada. É
como se, em vez de dizer algo como "Não deixar nenhum
macaco sem cauda", as palavras "Não" e "nenhum" fossem
75 cortadas. A frase ficaria: "Deixar macaco sem cauda".
Para confirmar se era isso mesmo o que estava
acontecendo, os pesquisadores fizeram uma ampla gama
de testes de laboratório com embriões de camundongos
geneticamente modificados. Eles tentaram simular as
80 alterações dos elementos Alu que acontecem nos primatas
da nossa linhagem nos roedores. E o resultado foi que, de
fato, as mudanças de fato parecem favorecer a ausência ou
a redução da cauda.
É bastante provável que essa alteração, embora
85 importante, não tenha sido a única a conduzir a nossa
linhagem rumo à vida sem rabo. Além disso, embora se
especule que a ausência de cauda tenha sido um elemento
importante para a locomoção bípede, também é verdade
que muitas espécies arbóreas ou escaladoras, a exemplo
90 dos orangotangos, tampouco têm cauda. Por isso, os
motivos por trás da alteração evolutiva ainda são obscuros
(Reinaldo José Lopes. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2024/02/dna-saltador-ajudou-ancestrais-do-ser-humano-a-perder-a-cauda.shtml. 29.fev.2024)
De outro, ele verificou se esses mesmos genes tinham alterações exclusivas de grandes símios e seres humanos, o que apontaria uma relação mais provável com a falta de cauda nessa linhagem. (L.37- 40)
A palavra destacada no período acima se classifica como
partícula apassivadora.
conjunção integrante.
conjunção subordinativa condicional.
pronome oblíquo.
índice de indeterminação do sujeito.