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Texto 2
É um hábito humano – muito humano – culpar e punir os mensageiros pelo conteúdo odioso da mensagem de que são portadores – nesse caso, das enigmáticas, inescrutáveis, assustadoras e corretamente abominadas forças globais que suspeitamos (com boas razões) serem responsáveis pelo perturbador e humilhante sentido de incerteza existencial que devasta e destrói nossa confiança, ao mesmo tempo que solapa nossas ambições, nossos sonhos e planos de vida. E embora quase nada possamos fazer para controlar as esquivas e remotas forças da globalização, podemos pelo menos desviar a raiva que nos provocaram e continuam a provocar, e despejar nossa ira, alternadamente, sobre seus produtos, ao nosso lado e ao nosso alcance. Isso, claro, não vai chegar nem perto das raízes do problema, mas pode aliviar, ao menos por algum tempo, a humilhação provocada por nossa impotência e incapacidade de resistir à debilitante precariedade de nosso lugar no mundo.
BAUMAN, Z. Estranhos à nossa porta. Trad.: Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2017, p. 21-22.
Está corretamente analisado, do ponto de vista da sintaxe da língua portuguesa, o(s) termo(s) destacado(s) em:
[...] pelo conteúdo odioso da mensagem de que são portadores[...]. - complemento nominal.
[...]corretamente abominadas forças globais que suspeitamos (com boas razões) serem responsáveis pelo perturbador e humilhante sentido de incerteza existencial[...] – agente da passiva.
E embora quase nada possamos fazer para controlar as esquivas e remotas forças da globalização [...] – adjunto adnominal.
[...] e despejar nossa ira, alternadamente, sobre seus produtos, ao nosso lado e ao nosso alcance. – objeto indireto.
[...] provocada por nossa impotência e incapacidade de resistir à debilitante precariedade de nosso lugar no mundo. – adjunto adverbial de lugar.