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Texto para as questões 1 a 8
Temos que lutar com todas as forças para deixarmos crianças longe das redes sociais
O psicólogo social norte-americano Jonathan Haidt acaba de publicar um livro defendendo
que, vejam só, crianças precisam brincar. A revista inglesa The Economist resenhou três livros
com a tese de que seres humanos devem, oras, bolas, conversar. A filósofa mexicana Mariana
Alessandri explica no podcast "Grey Area" que ficar triste – quem diria?! – faz parte da vida. Vou
5 parar por aqui, poupando-lhes artigos, livros e podcasts com os quais tenho topado versando
sobre platitudes tipo a importância de dormir bem, beber água, movimentar o corpo e ter
amigos.
A necessidade de que especialistas repitam o que as nossas bisavós já sabiam, parece,
não é culpa deles, mas do pífio estágio atual da humanidade. Crianças não brincam, adultos
10 não interagem, a tristeza deve ser medicada. A responsabilidade por desaprendermos a viver,
como mostra Jonathan Haidt com um caminhão de dados, é das redes sociais. (...)
A geração Z (os nascidos após 1996), primeira leva de humanos que teve smartphone e rede
social desde que se entende por gente, deu ruim. Bem ruim. Nos EUA, os níveis de depressão
entre adolescentes cresceram 50% de 2010 pra cá. O de suicídios entre 10 (!) e 14 (!) anos
15 subiu 48%, sendo que entre as meninas – quem mais sofre com as pressões estéticas deste
instagramável mundo novo – aumentaram 131%. Dados de vários outros países seguem a
tendência.
A geração Z é mais deprimida, ansiosa, tem mais distúrbios alimentares e é mais propensa
à automutilação do que qualquer outra que veio antes. Ela tem menos encontros amorosos,
20 faz menos sexo, é mais tímida, menos ambiciosa e mais complicada de lidar no trabalho.
Segundo Haidt, a explicação para essa pindaíba geracional é muito clara: celular
substituindo o quintal, rede social no lugar da brincadeira. Em vez de jogarem futebol ou
queimada, aprendendo, assim, a competir, cooperar, perder, ganhar, se relacionar com
pessoas diferentes de si, estavam no Twitter. Ficam ao mesmo tempo privados dos conflitos
25 normais da infância (que são um treino para as tretas da vida adulta) e ameaçados pelo temor
onipresente da exposição nas redes: o cancelamento, a humilhação pública, o cyberbullying.
Imagina, pra quem passou a adolescência vendo corpos no Instagram e performances
sexuais no Pornhub, a dificuldade que deve ser se despir diante de outra pessoa e se lançar na
desengonçada e nada instagramável prática do sexo. O smartphone, as redes sociais e os
30 algoritmos estão criando adultos com medo da vida. Sam Altman, papa (e mama) da IA, aponta
que, pela primeira vez desde 1970, o Vale do Silício não tem nenhum grande empreendedor
com menos de 30 anos.
Eu não sou um hippie antitecnologia. Eu escrevo pra televisão, gosto de videogame, como
Big Mac, agradeço aos cientistas por minhas lentes descartáveis e devo meu cabelo à
35 finasterida, mas lutarei com todas as forças para deixarmos crianças e jovens adolescentes
longe de smartphones e redes sociais. A luta, contudo, só funciona se for coletiva. Ou todos
nós tiramos as crianças dessa arapuca, ou a que ficar de fora será a esquisitona.
Os dados estão aí. Repito um só: desde que as redes sociais apareceram, o número de
suicídios entre crianças só fez crescer. "Suicídio" e "crianças" são palavras que não deveriam
andar juntas – e nos últimos 3.000 anos de história registrada, até Zuckerberg e seus cúmplices
hackearem e colonizarem a infância, não andavam. Se isso não for urgente, o que será?
(Antonio Prata. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2024/04/temos-que-lutar-com-todas-as-forcas-para-deixarmos-criancas-longe-das-redes-sociais.shtml.)
Segundo Haidt, a explicação para essa pindaíba geracional é muito clara: celular substituindo o quintal, rede social no lugar da brincadeira. (L.21-22)
O segmento sublinhado no período acima, em relação ao que foi enunciado anteriormente, apresenta valor discursivo de:
Explicação.
Especificação.
Exemplificação.
Estratificação.
Enumeração.