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Texto para as questões de 1 a 12.
1 Quando criança, fui ensinada de que a
população negra havia sido escrava e ponto, como se
não tivesse existido uma vida anterior nas regiões de
4 onde essas pessoas foram tiradas à força. Disseram-me
que a população negra era passiva e “aceitou” a
escravidão sem resistência. Também me contaram que
7 a princesa Isabel havia sido sua grande redentora. No
entanto, essa era a história contada do ponto de vista
dos vencedores. Com o tempo, compreendi que a
10 população negra havia sido escravizada, e não era
escrava — palavra que denota que essa seria uma
condição natural, ocultando que esse grupo foi
13 colocado ali pela ação de outrem.
O primeiro ponto a entender é que falar sobre
racismo no Brasil é, sobretudo, fazer um debate
16 estrutural. É fundamental trazer a perspectiva histórica
e começar pela relação entre escravidão e racismo,
mapeando suas consequências.
19 É importante lembrar que, apesar de a
Constituição do Império de 1824 determinar que a
educação era um direito de todos os cidadãos, a escola
22 estava vetada para pessoas negras escravizadas. A
cidadania se estendia a portugueses e aos nascidos em
solo brasileiro, inclusive a negros libertos. Mas esses
25 direitos estavam condicionados a posses e
rendimentos, justamente para dificultar aos libertos o
acesso à educação.
28 Havia também a Lei de Terras de 1850, ano em
que o tráfico negreiro passou a ser proibido no Brasil —
embora a escravidão tenha persistido até 1888. Essa lei
31 extinguia a apropriação de terras com base na
ocupação e dava ao Estado o direito de distribuí-las
somente mediante a compra. Dessa maneira, ex-
34 escravizados tinham enormes restrições, pois só quem
dispunha de grandes quantias poderia tornar-se
proprietário.
37 No Brasil, há a ideia de que a escravidão aqui foi
mais branda do que em outros lugares, o que nos
impede de entender como o sistema escravocrata
40 ainda impacta a forma como a sociedade se organiza.
Historiadores já comprovaram que essa ideia não passa
de um mito. São inúmeros os fatos históricos que a
43 desmentem.
Movimentos de pessoas negras há anos
debatem o racismo como estrutura fundamental das
46 relações sociais, criadora de desigualdades e abismos.
O racismo é, portanto, um sistema de opressão que
nega direitos, e não um simples ato da vontade de um
49 indivíduo.
Portanto, nunca entre numa discussão sobre
racismo dizendo “mas eu não sou racista”. O que está
52 em questão não é um posicionamento moral,
individual, mas um problema estrutural. A questão é: o
que você está fazendo ativamente para combater o
55 racismo? Mesmo que uma pessoa pudesse se afirmar
como não racista (o que é difícil, ou mesmo impossível,
já que se trata de uma estrutura social enraizada), isso
58 não seria suficiente — a inação contribui para
perpetuar a opressão.
Djamila Ribeiro. Pequeno Manual Antirracista. Companhia dasLetras, 2019 (com adaptações).
A oração “embora a escravidão tenha persistido até 1888” (linha 30) classifica-se como
coordenada adversativa.
subordinada adverbial temporal.
subordinada adverbial concessiva.
subordinada substantiva apositiva.
subordinada adjetiva explicativa.