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Texto para as questões de 1 a 10.
1 A “inocência” moderna fala do poder como se
ele fosse um: de um lado, aqueles que o têm, de outro,
os que não o têm; acreditamos que o poder fosse um
4 objeto exemplarmente político; acreditamos agora
que é também um objeto ideológico, que ele se
insinua nos lugares onde não o ouvíamos de início,
7 nas instituições, nos ensinos, mas, em suma, que ele é
sempre uno. Adivinhamos então que o poder está
presente nos mais finos mecanismos do intercâmbio
10 social: não somente no Estado, nas classes, nos
grupos, mas ainda nas modas, nas opiniões correntes,
nos espetáculos, nos jogos, nos esportes, nas
13 informações, nas relações familiares e privadas, e até
mesmo nos impulsos liberadores que tentam
contestá-lo: chamo discurso de poder todo discurso
16 que engendra o erro e, por conseguinte, a
culpabilidade daquele que o recebe. Alguns esperam
de nós, intelectuais, que nos agitemos a todo
19 momento contra o Poder; mas nossa verdadeira
guerra está alhures: ela é contra os poderes, e não é
um combate fácil: pois, plural no espaço social, o
22 poder é, simetricamente, perpétuo no tempo
histórico: expulso, extenuado aqui, ele reaparece ali;
nunca perece; façam uma revolução para destruí-lo,
25 ele vai imediatamente reviver, regerminar no novo
estado de coisas. A razão dessa resistência e dessa
ubiquidade é que o poder é o parasita de um
28 organismo trans-social, ligado à história inteira do
homem, e não somente à sua história política,
histórica. Esse objeto em que se inscreve o poder,
31 desde toda eternidade humana, é: a linguagem — ou,
para ser mais preciso, sua expressão obrigatória: a
língua.
Roland Barthes. Aula. São Paulo: Cultrix, 2007 (com adaptações).
No trecho “ligado à história inteira do homem, e não somente à sua história política” (linhas 28-29), o emprego do acento indicativo de crase no vocábulo “à” é
obrigatório em ambas as suas ocorrências.
facultativo em ambas as suas ocorrências.
facultativo apenas na sua primeira ocorrência.
facultativo apenas na sua segunda ocorrência.
obrigatório apenas na sua segunda ocorrência.