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As orações subordinadas são aquelas que dependem de outras...

Texto para as questões de 1 a 20.


Sons que confortam


1Eram quatro da manhã quando seu pai sofreu um colapso cardíaco. Só estavam os três na casa: o pai, a mãe e ele, um

garoto de 13 anos. Chamaram o médico da família. E aguardaram. E aguardaram. E aguardaram. Até que o garoto escutou

um barulho lá fora. É ele que conta, hoje, adulto: Nunca na vida ouvira um som mais lindo, mais calmante, do que os pneus

daquele carro amassando as folhas de outono empilhadas junto ao meio-fio.

5Inesquecível, para o menino, foi ouvir o som do carro do médico se aproximando, o homem que salvaria seu pai.

Na mesma hora em que li esse relato, imaginei um sem-número de sons que nos confortam. A começar pelo choro na sala

de parto. Seu filho nasceu. E o mais aliviante para pais que possuem adolescentes baladeiros: o barulho da chave abrindo a

fechadura da porta. Seu filho voltou.

E pode parecer mórbido para uns, masoquismo para outros, mas há quem mate a saudade assim: ouvindo pela

10 enésima vez o recado na secretária eletrônica de alguém que já morreu.

Deixando a categoria dos sons magnânimos para a dos sons cotidianos: a voz no alto-falante do aeroporto dizendo que

a aeronave já se encontra em solo e o embarque será feito dentro de poucos minutos.

O sinal, dentro do teatro, avisando que as luzes serão apagadas e o espetáculo irá começar.

O telefone tocando exatamente no horário que se espera, conforme o combinado. Até a musiquinha que antecede

15 a chamada a cobrar pode ser bem-vinda, se for grande a ansiedade para se falar com alguém distante.

O barulho da chuva forte no meio da madrugada, quando você está no quentinho da sua cama.

Uma conversa em outro idioma na mesa ao lado da sua, provocando a falsa sensação de que você está viajando, de

férias em algum lugar estrangeiro. E estando em algum lugar estrangeiro, ouvir o seu idioma natal sendo falado por alguém

que passou, fazendo você lembrar que o mundo não é tão vasto assim.

20 O toque do interfone quando se aguarda ansiosamente a chegada do namorado. Ou mesmo a chegada da pizza.

O aviso sonoro de que entrou um torpedo no seu celular.

A sirene da fábrica anunciando o fim de mais um dia de trabalho.

O sinal da hora do recreio.

A música que você mais gosta tocando no rádio do carro. Aumente o volume.

25 O aplauso depois que você, nervoso, falou em público para dezenas de desconhecidos.

O primeiro eu te amo dito por quem você também começou a amar.

E o mais raro de todos: o silêncio absoluto.


MEDEIROS, M. Sons que confortam. In: Felicidade Crônica. Porto Alegre: L&PM, 2014.

As orações subordinadas são aquelas que dependem de outras no período e que não têm sentido completo se aparecerem isoladas. Assim sendo, indique a alternativa, a qual há uma oração subordinada destacada, corretamente classificada.


A

“[...] fazendo você lembrar que o mundo não é tão vasto assim.” (linha 19) (substantiva objetiva indireta)


B

“Na mesma hora em que li esse relato, imaginei um sem-número de sons [...] (linha 6) (adverbial temporal)


C

“E o mais aliviante para pais que possuem adolescentes baladeiros [...]” (linha 7) (substantiva objetiva direta)


D

“Uma conversa em outro idioma na mesa ao lado da sua, provocando a falsa sensação de que você está viajando (linha 17) [...]” (substantiva completiva nominal)


E

“O barulho da chuva forte no meio da madrugada, quando você está no quentinho da sua cama.” (linha 16) (adjetiva restritiva)