Imagem de fundo

No fragmento “Queria captura em vez de pega para não...

Texto para as questões de 11 a 20.

A DRAGA


1 A gente não sabia se aquela draga tinha nascido ali, no porto, como um pé de árvore ou uma duna.

– E que fosse uma casa de peixes?

Meia dúzia de loucos e bêbados moravam dentro dela, enraizados em suas ferragens.

Dos viventes da draga era um o meu amigo Mário-pega-sapo.

5 […]

Quando Mário morreu, um literato oficial, em necrológico caprichado, chamou-o de Mário-Captura-Sapo! Ai que dor!

Ao literato cujo fazia-lhe nojo a forma coloquial.

Queria captura em vez de pega para não macular (sic) a língua nacional lá dele…

[…]

10 Da velha draga,

Abrigo de vagabundos e de bêbados, restaram as expressões: estar na draga, viver na draga por estar sem dinheiro, viver

na miséria

Que ora ofereço ao filólogo Aurélio Buarque de Hollanda

Para que as registre em seus léxicos

15 Pois o povo já as registrou.


BARROS, M. Gramática expositiva do chão: poesia quase toda. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1990 (fragmento).

No fragmento “Queria captura em vez de pega para não macular (sic) a língua nacional lá dele…” (linhas 8), a locução prepositiva indica


A

uma hiperonímia equivalente a ao invés de.


B

no lugar de, dando ideia de substituição.


C

uma adversidade equivalente a todavia.


D

ao invés de, pois significa ao contrário de.