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Considerando o fragmento adaptado “O marketing...

O amor é uma elegância em nossas vidas


Por Martha Medeiros


  1. “Mas o que eu vou fazer se ficar sozinha?” me perguntou ela, enfurnada num casamento
  2. que já tinha virado outra coisa, coisa nenhuma, um esconderijo.
  3. Comecei dando sugestões práticas: criar várias playlists no celular, mergulhar nos livros
  4. e viver todas as vidas que de outra forma ela não viverá, viajar para algum lugar que ela sempre
  5. quis conhecer, chamar cada uma das amigas para uma conversa íntima sem hora para acabar,
  6. fazer uma oficina de literatura e transformar em prosa a sua história, visitar as exposições que
  7. a cidade inteira comenta, começar a se exercitar a sério. Mas será que esta lista prosaica, nada
  8. original, seria suficiente para ela entender que a solidão pode ser repleta de acontecimentos?
  9. Acrescentei, claro, que nada impedia que ela iniciasse uma nova relação, menos algemada
  10. a contas conjuntas, rotinas familiares e planos a longo prazo, um engate sem tornozeleira
  11. eletrônica, um namorado para as próximas 24 horas, com renovação automática a cada manhã,
  12. se fosse bom para os dois. Mas confiança não era o forte dela. Não acreditava quando eu dizia
  13. que pessoas maduras têm tanta ou mais facilidade para namorar do que os jovens. A neura dela
  14. era ficar solteira em uma sociedade machista, em que os pares ainda valem mais do que os
  15. ímpares.
  16. É uma cilada acreditar nisso. Porque a mulher vai se acomodando e perdendo
  17. oportunidades de renascer a cada novo desejo, que não precisa ser o desejo por outra pessoa,
  18. mas o desejo de ser mais livre, mais ela mesma. Até os índices de feminicídio poderiam cair se
  19. a gente entendesse que não é obrigatório formar um casal. Ninguém é sozinho, há um povaréu
  20. dentro de cada um. Que se pense bem antes de render-se ao casamento apenas por uma
  21. exigência social que interessa ao status quo (casados são ordeiros, formam família, consomem
  22. por quatro).
  23. O amor é uma elegância em nossas vidas, não pode virar um sacrifício sustentado por
  24. filmes e livros que contam histórias românticas tendenciosas. Até a bossa nova nos deu um hino
  25. que mais parece uma sina: “é impossível ser feliz sozinho”. O marketing pró-acasalamento é
  26. milionário, glamouroso e distribui prêmios. Porém, a agenda da solidão não traz páginas vazias.
  27. Há também jantares, shows, viagens, cursos, beijos, trabalho – e descanso, dorme-se melhor.
  28. Mais que isso, há tempo para o silêncio, para a paz das leituras demoradas, para a música que
  29. toca noite adentro, para o convívio com nossa alma em estado puro.
  30. Eu consegui um feito: levei minha solidão para dentro do meu namoro e ela foi recebida
  31. de braços abertos. Mas não é assim que funciona com a maioria dos casais, onde a solidão de
  32. um extermina a solidão do outro. Depois se perguntam como é que pôde ter dado errado.


(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2024/04/o-amor-e-uma-elegancia-em-nossas-vidas-clvfp57as0150013v3se4johv.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o fragmento adaptado “O marketing pró-acasalamento é milionário”, assinale a alternativa que classifica corretamente o sujeito.


A

Simples.


B

Composto.


C

Indeterminado.


D

Oculto.


E

Oração sem sujeito.