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Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 7.
O perigo mora online
Como boa parte das crianças nascidas na década de 1980, eu cresci em frente a uma tela. Tenho vividas memórias das manhãs passadas em frente à televisão de tubo, que ocupava quase todo o espaço do hack de madeira posicionado contra a parede, bem em frente ao sofá da sala.
Eu amava ver televisão. E devo ter passado pelo menos duas horas diárias contemplando aquela tela de vidro durante os meus anos de formação. Mas ao ouvir da minha criança de cinco anos a ocasional súplica por uma tela, minha resposta é, na esmagadora maioria das vezes, categórica: não. Mas, dentro de mim tem uma mãe cansada que grita: “dá o telefone, vai. Pelo menos eles vão ficar quietos um pouquinho e você pode lavar os pratos que estão na pia”.
Agora um novo livro acaba de ser lançado que talvez ajude a aquietar essa voz interna e me traga ainda mais motivos para limitar o tempo dos meus filhos diante das telas e retardar o acesso deles às redes sociais. “A geração ansiosa”, do autor Jonathan Haidt, traça um claro e preocupante paralelo entre o uso “indiscriminado” de telas e o aumento dos índices de depressão e ansiedade entre crianças e adolescentes.
Haidt defende que parte do problema está no fato de a experiência da infância estar se tornando cada vez menos baseada no brincar e mais dependente do entretenimento passivo das telas. O autor acredita que pais se tornaram excessivamente protetores das experiências dos filhos no mundo offline, provavelmente amedrontados pela violência que vemos ao nosso redor, e passaram a ver o uso de telas como uma alternativa “segura”. Eu entendo o ponto, mas na minha humilde opinião de mãe, acho que o buraco também passa pela sobrecarga materna e a necessidade de muitas mães de terceirizar esse momento de distração dos filhos, uma vez que elas mesmas precisam se desdobrar para executar toda uma lista de outras atividades.
Fato é que, como sociedade, estamos mais acostumados a nos preocuparmos com os perigos do mundo lá fora porque esses perigos sempre estiveram lá, à espreita das nossas crianças. O que o livro e as tantas pesquisas que começam a ser reveladas com base nessa última década de amplo acesso a smartphones nos mostram são justamente os inúmeros e reais perigos que se escondem por detrás das telas que entregamos aos nossos filhos todos os dias.
Volto para a minha infância com os olhos da mãe que sou hoje e penso que pelo menos a TV de tubo não morava dentro do meu bolso. E, quando chegava a hora do almoço, algum adulto apertava o botão vermelho do controle remoto e a minha única saída era desencostar do sofá, levantar do chão e ir viver a vida. O mundo mudou e desconectar ficou mais difícil, mas se faz cada dia mais necessário.
(Joanna Moura. Adaptado).
Analise o trecho abaixo para responder à questão 7.
Fato é que, como sociedade, estamos mais acostumados a nos preocuparmos com os perigos do mundo lá fora porque esses perigos sempre estiveram lá, “à” espreita das nossas crianças.
De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, quanto ao uso da crase, assinale a alternativa que apresenta uma afirmação correta.
É obrigatório, porque “à espreita” é uma locução adverbial.
É facultativo, porque a palavra “espreita” não está definida.
É obrigatório, porque o verbo “espreita” pede preposição.
Está errado, porque no contexto não caberia uso de artigo ''a''.