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Considerando o fragmento “A família chamava de um jeito, os...

O poder dos nomes compostos


Por Fabrício Carpinejar


  1. Meus pais _____ nomes compostos, seus irmãos _____ nomes compostos.
  2. Na família paterna, além de meu pai Luiz Carlos Verzoni Nejar, _____ os tios Luiz Paulo
  3. Verzoni Nejar e Sady José Verzoni Nejar (in memoriam), e as tias Maria do Carmo Abott, Maria
  4. Cristina Nejar, Maria da Graça Nejar e Rosa Maria Nejar.
  5. Do tronco materno, minha mãe é Maria Elisa Carpi, minha tia é Cléa Ana Carpi.
  6. Do mesmo modo, as primas da minha esposa são Maria: Maria Clara, Maria Geralda, Maria
  7. Lúcia, Maria Elisabeth, Maria Teresinha e Maria de Lourdes. Das dez gestações, seis são
  8. mulheres, com o batismo semelhante.
  9. Os nomes das pessoas mais antigas são compridos como fazendas. São extensos como
  10. estradas. Carregava-se uma lógica genealógica de prefixos na família grande. Como um princípio
  11. de ordenação, de hierarquia do caçula ao primogênito.
  12. Eu acho bonita a existência desses seres gêmeos de nome. Gêmeos do cartório.
  13. Você contava com um nome suplente. Um nome secreto. Um nome para ser guardado.
  14. Um nome para ser economizado.
  15. A família chamava de um jeito, os amigos de outro. O trabalho destacava uma forma de
  16. nominação, a intimidade escolhia outra. Você desfrutava de uma versatilidade em diferentes
  17. ambientes. Não se enjoava de si, dispunha de mais de uma maneira de se declarar.
  18. Meu pai prefere o Carlos — o Luiz passa a ser o seu duplo escondido. Minha mãe privilegia
  19. a Maria — a Elisa é sua alma reservada.
  20. Quem tem hoje três irmãos, e pensa que os pais exageraram na dose, não faz ideia da
  21. multidão de crias pela casa. Um quarto sozinho era uma sandice, um desejo nababesco, uma
  22. realidade impossível. Você se via dividindo as camas, os armários, os cadernos, os livros, as
  23. roupas, os brinquedos.
  24. Prevalecia uma reação de manada. O nome coletivo nem sempre facilitava. Quando um
  25. dos filhos era repreendido, todos olhavam.
  26. A duplicidade não acontecia devido .... um problema de memória dos pais, numa
  27. dificuldade de listar um por um da prole fértil, ou por indecisão sobre o significado dos nomes,
  28. ou por ausência de criatividade, ou num ato diplomático para compor dissidências e agradar ....
  29. gregos e troianos. Tratava-se de um fundamento de sobrevivência do legado, assinalando uma
  30. homenagem a um parente — vô ou vó, bisavô ou bisavó.
  31. Representava um artifício de perpetuação familiar. Havia a necessidade de preservar a
  32. memória sofrida dos antecessores, numa resistência genética a partir da escrita.
  33. Evitava-se a repetição dos nomes paterno e materno, com o acréscimo de Júnior, por
  34. exemplo. Procurava-se beneficiar gerações mais remotas.
  35. O nome em comum correspondia também a um recurso para mitigar perdas. Diante da
  36. alta taxa de mortalidade infantil, nunca se sabia quem iria chegar .... fase adulta.
  37. Assim se criava uma dinastia de Luiz, ou João, ou Pedro, bem como uma escadinha de
  38. Maria ou Ana.
  39. Observando com atenção os meus pais aos seus 85 anos, entendo cada vez mais o motivo
  40. de seus nomes numerosos. Foi providencial para o tamanho de suas tarefas. Nada veio fácil para
  41. eles. Tiveram que ser vários ao longo da vida, um exército de versões para se revezar na
  42. resiliência. Atravessaram uma guerra mundial, a Guerra Fria e as duas enchentes que
  43. devastaram Porto Alegre.


(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/06/o-poder-dos-nomes-compostoshtml – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o fragmento “A família chamava de um jeito, os amigos de outro”, os termos sublinhados são classificados respectivamente como:


A

Artigo – pronome.


B

Preposição – conjunção.


C

Advérbio – adjetivo.


D

Preposição – pronome.


E

Artigo – advérbio.