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Leia o texto para responder às questões de números 06 a 09.
Cartazes espalhados por Ouro Preto, região central de Minas Gerais, relembram um cenário revoltante do século 16 em pleno 2023 e intrigam moradores. Neles, uma mulher negra despida é colocada à venda, como se fosse propriedade. Depois de 135 anos da abolição do trabalho escravo, as mensagens provocam repulsa em quem ainda sente as dores do período, legado do povo preto.
“Vende-se uma preta, muito moça, com cria, sabendo lavar perfeitamente e bem desembaraçada para o serviço doméstico. É sadia. O motivo da venda é não querer mais servir aos seus antigos senhores”, diz um dos cartazes. Os conteúdos estão espalhados por postes da cidade e em áreas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
A geógrafa Eleciania Tavares fala sobre o sentimento de ter visto as mensagens. “Enquanto mulher negra, voltei ao século 16. Até me emociono. A gente revive a época da escravização. Nossos corpos ainda são muito violentados, das mais diversas formas. Essa apresentação da mulher despida, como ama de leite, é muito impactante e nos faz vivenciar várias situações”, relata.
A professora Lívia também compartilha a sensação de “incredulidade”. “Quando me mostraram os cartazes, demorei um pouco para compreender, de fato, do que se tratava. Fiquei bastante assustada. O sentimento é de revolta, pois é uma desumanização da mulher negra. Os cartazes retratam a mulher como uma “coisa”. Eu não consigo sequer ler tudo que foi escrito ali”, conta.
A Universidade Federal de Ouro Preto, em nota, informou que os cartazes com o suposto anúncio são um trabalho artístico de pesquisadores da instituição.
Em uma publicação numa rede social, a artista Marcinha Baobá afirmou que o objetivo dos cartazes é discutir um passado violento que ainda assombra. “De forma alguma, estou vendendo pessoas escravizadas, muito pelo contrário. Estou rememorando um passado que me cabe como mulher negra. O trabalho aborda um passado que parece superado, mas não passou: a escravização”, disse.
(Gabriel Rezende e Vitor Fórneas. Cartazes vendendo escrava e ama de leite intrigam moradores em Ouro Preto. www.otempo.com.br, 02.08.2023. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o vocábulo destacado teve sua posição alterada em relação ao trecho original, mantendo-se a correção da norma-padrão de colocação pronominal da Iíngua portuguesa.
Até emociono-me.
... é muito impactante e faz-nos vivenciar várias situações”, relata.
“Quando mostraram-me os cartazes, demorei um pouco para compreender...
Se trata da desumanização da mulher negra.
Estou rememorando um passado que cabe-me como mulher negra.