A árvore da serra
— Às árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice mais calma!
— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh'alma...
— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:
“Não mate a árvore, pai, para que eu viva!”
Enquanto a árvore, olhando a pátria serra,
Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco.
E nunca mais se levantou da terra.
(Augusto dos Anjos)
Assinale a única alternativa que caracteriza a poesia de Augusto dos Anjos:
A dramatização evidente no soneto representa a dualidade presente na alma do poeta entre o racionalismo de base científica e a religiosidade que persistia em seu íntimo.
A natureza no soneto ilustra a busca do indivíduo pelo esforço acolhedor, pelo lugar ameno em que a artificialidade da vida humana não tem valor.
O soneto, ornamentado com referências neoclássicas, afirma uma crença no progresso da humanidade, no triunfo do belo, do santo e do justo, pelo exercício da razão.
Os versos são repletos de sinestesias e hipérbatos que valorizam uma experiência sensorial e leva quem lê a perceber a existência de uma dimensão que se esconde além da realidade concreta.
O soneto apresenta uma visão antropocêntrica do eu-lírico ao recuperar modelos da Antiguidade Clássica a fim de elevar a clareza, a harmonia e o equilíbrio poéticos.