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A preposição destacada introduz um complemento nominal em:

O perigo do alto consumo de ultraprocessados pelas crianças brasileiras


(1§) O alto consumo de alimentos ultraprocessados entre as crianças brasileiras preocupa pediatras e especialistas em nutrição. Isso porque esses produtos estão associados a uma série de doenças, como obesidade, diabetes, alguns tipos de câncer e hipertensão, que levam à morte prematura cerca de 57 mil pessoas entre 30 e 69 anos no país.

(2§) Os dados são de um estudo realizado por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e Universidade de Santiago de Chile, publicado no "American Journal of Preventive Medicine" em 2022. De acordo com os pesquisadores, diminuir o consumo de ultraprocessados em algo entre 10% e 50% poderia reduzir de 5.900 a 29.300 mortes por ano.

(3§) "Alimentos ultraprocessados não são propriamente alimentos, mas sim formulações de substâncias derivadas de alimentos, frequentemente modificadas quimicamente e de uso exclusivamente industrial, contendo pouco ou nenhum alimento inteiro e tipicamente adicionadas de corantes, aromatizantes. emulsificantes e outros aditivos cosméticos, para que se tornem palatáveis ou hiperpalatáveis", afirmou Carlos Augusto Monteiro, coordenador do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP).

(4§) Alguns exemplos desses produtos são refrigerantes e outras bebidas saborizadas artificialmente, biscoitos recheados, salgadinhos, barras de cereais, macarrão instantâneo, sopas de pacote, sorvetes e refeições congeladas prontas para consumo. Os resultados do Enani (Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil), que ouviu 15 mil famílias de todo o país entre 2019 e 2020, mostram que as crianças pequenas também consomem enormes quantidades desses produtos.

(5§) "Esse consumo não tem efeito agudo, mas de médio e longo prazo. Uma criança com obesidade tem cerca de 80% de risco de se tornar um adulto obeso. O consumo desses produtos está associado ao aumento de doenças cardiovasculares, de obesidade infantil e câncer, além da redução da amamentação e ao desmame precoce", explica o Dr.Paulo Telles, pediatra pela SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).


Motivos para o alto consumo de ultraprocessados entre as crianças


(6§) Nas últimas décadas, houve mudanças significativas no comportamento dos brasileiros. Primeiro, as mulheres passaram a ser parte importante do mercado de trabalho, sem que ocorresse, em contrapartida, uma divisão mais justa dos afazeres domésticos. Assim, a alimentação da família continuou a cargo das mulheres, embora elas hoje tenham menos tempo disponível para a função.

(7§) Com isso, as famílias passaram a optar por refeições rápidas, feitas com produtos ultraprocessados, fora e dentro de casa. Outro fator que favorece o consumo de ultraprocessados é o preço e a facilidade de acesso a esses produtos, Por outro lado, os alimentos in natura não são acessíveis a toda a população. A maior parte dos brasileiros vive nas periferias das grandes cidades e nos locais mais afastados das áreas rurais, nas regiões conhecidas como desertos alimentares, áreas em que há pouca oferta de alimentos in natura, como frutas, legumes e verduras.

(8§) O Dr Telles aponta outro problema que leva ao aumento dos ultraprocessados por parte das crianças. a propaganda apelativa desses produtos, voltada para o público infantil, sem que haja ações de marketing equivalentes que estimulem o consumo de alimentos saudáveis entre as crianças. Embora vários dispositivos da legislação brasileira estipulem normas para a publicidade que visam a proteger as crianças de propagandas abusivas, são inúmeros os exemplos de marketing da indústria alimentícia voltado para esse público,

(9§) Com os adultos fora de casa a maior parte do tempo e a facilidade de acesso aos ultraprocessados, fica mais difícil garantir que crianças fiquem longe desses produtos. “Crianças que consomem altas taxas desses produtos têm o paladar modificado. É mais difícil introduzir alimentos in natura para essas crianças”, diz o Dr.Teles.


Guia Alimentar para a População Brasileira


(10§) O Ministério da Saúde elaborou o Guia Alimentar para a População Brasil, que traz diretrizes para uma alimentação saudável. O guia define quatro categorias de alimentos de acordo com o tipo de processamento empregado na sua produção:

(11§) Alimentos in natura são aqueles obtidos diretamente de plantas ou de animais (como folhas e frutos ou ovos e leite) e adquiridos para consumo sem que tenham sofrido qualquer alteração após deixarem a natureza. Já os alimentos minimamente processados são alimentos in natura que, antes de sua aquisição, foram submetidos a alterações mínimas. Exemplos incluem grãos secos, polidos e empacotados ou moídos na forma de farinhas, raízes e tubérculos lavados, cortes de came resfriados ou congelados e leite pasteurizado.

(12§) Produtos extraídos de alimentos in natura ou diretamente da natureza e usados pelas pessoas para temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias. Exemplos desses produtos são: óleos, gorduras, açúcar e sal,

(13§) Produtos fabricados essencialmente com a adição de sal ou açúcar a um alimento in naiura ou minimamente processado, como legumes em conserva, frutas em calda, queijos e pães.

(14§) Produtos cuja fabricação envolve diversas etapas e técnicas de processamento e vários ingredientes, muitos deles de uso exclusivamente industrial. Exemplos incluem refrigerantes, biscoitos recheados, “salgadinhos de pacote” e “macarrão instantâneo”.

(15§) O documento, elogiado por especialistas do mundo todo, afirma que os alimentos in natura ou minimamente processados devem ser a base da alimentação diária, enquanto deve-se evitar ao máximo os ultraprocessados

(16§) "A cultura alimentar dos brasileiros é diferente da de outros países que enfrentam altas taxas de obesidade e de doenças associadas a ela, como os Estados Unidos. Nesse sentido, temos vantagem, e o Guia Alimentar traz boas orientações”, finaliza o Dr.Telles.


VARELLA, Mariana. O perigo do alto consumo de ultraprocessados pelas crianças brasileiras.

Disponível em: https://www.uol.com.br/ivivabem/colunas/marana-varella/2024/05/22/criancas-brasileiras-e-o-perigo-do-alio-consumo-de-ultraprocessados.htm. Acesso em: 27 maio 2024. (Adaptado)

A preposição destacada introduz um complemento nominal em:


A

"...Carlos Augusto Monteiro, coordenador do Núcleo de Pesquisas...". (3§)


B

"...é outro problema que leva ao aumento dos ultraprocessados...”. (8§)


C

“O documento, elogiado por especialistas do mundo todo, afirma...". (15§)


D

"A cultura alimentar dos brasileiros é diferente da de outros países...”. (16§)