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O segmento destacado no trecho “Tais imagens cada vez mais...

Texto para as questões de 1 a 15.

Democratização da energia e industrialização: como driblar os percalços

1 É um caminho sem volta. Nas grandes capitais, já é possível ver centenas de casas com a laje tomada por placas

fotovoltaicas. Ou, nas regiões Sul e Nordeste, avistar das rodovias um sem-fim de hélices gigantes. Tais imagens cada vez

mais presentes na paisagem revelam um cenário irreversível e bem-vindo: a democratização da eletrificação e a abundante

oferta de energia renovável.

5 Empreendimentos de energia solar e eólica fazem parte de um acelerado processo que, a partir da virada do

milênio, reforçou a capacidade do Brasil de gerar energia limpa e renovável. Juntas, as fontes impulsionadas pela luz do

sol e pela força dos ventos representam 21% da matriz elétrica brasileira, que, por sua vez, é formada por 84,3% de fontes

renováveis – incluindo os derivados de cana-de-açúcar (biomassa e etanol) e a água (hidráulica).

Um cenário que revela impactos positivos da democratização de fontes e das formas de comercialização para

10 a vida do empreendedor brasileiro. Dados de fevereiro da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) apontam que já

são 16.791 as empresas que decidiram migrar para o mercado livre de energia elétrica – modalidade que permite a fornecedores

e consumidores a negociação bilateral das condições do contrato: preços, prazo e fonte da energia, além de produtos e

serviços.

Desse universo, 94% são firmas de menor porte, com contas de luz acima de R$ 10 mil e demanda abaixo de 500 kW.

15 É um número bastante significativo e um reflexo direto de uma mudança regulatória eficiente, trazida pela portaria 50/2022,

do MME (Ministério de Minas e Energia), e que concede, desde janeiro, o direito aos consumidores de média e alta-tensão de

escolher o seu fornecedor de energia.

Antes, apenas quem tinha demanda superior a 500 kW podia migrar para o mercado livre. Ou seja: uma medida

simples que beneficia quem mais precisa de um alívio nas contas, seja um microempreendedor que produz comida para

20 entregas, seja um dono de padaria em uma rua popular.

Esse panorama positivo, porém, revela gargalos que colocam em risco a sustentabilidade de todas essas conquistas.

Uma projeção divulgada pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) mostra que, em 2028, o Brasil terá uma

demanda de 110,98 GW (gigawatts) de energia, ante uma oferta que pode chegar a 281,56 GW ao final de 2027. A sobreoferta

de energia renovável ainda não significa que o Brasil tenha como garantir o fornecimento em momentos de pico, uma vez que

25 parte dessas fontes é intermitente ou sujeita a fatores climáticos, como El Niño, o que limita a segurança de abastecimento.

Mas, se por um lado há um risco de intermitência, por outro essa sobreoferta é uma grande oportunidade de

industrialização para o Brasil. Podemos usar esse excedente para descarbonizar diversos produtos da nossa pauta de

exportação, como celulose, etanol e metais, além de abrir a possibilidade de produção local de fertilizantes verdes e hidrogênio.

Exatamente o que o mundo demanda para combater as mudanças climáticas.

30 A solução para tal quebra-cabeça não é simples, mas começa com melhorias no arcabouço regulatório e respeito

aos contratos vigentes por parte do governo. O setor privado, por sua vez, tem capacidade e criatividade para encontrar

alternativas à intermitência e, ao mesmo tempo, atrair capital para investimentos na indústria.

Esse círculo virtuoso poderá alavancar de forma certeira o aumento da oferta de energia renovável, favorecendo

os esforços por uma economia de baixo carbono, inclusive na matriz de transportes, sem descuidar da segurança de

35 abastecimento – lastro básico para o crescimento econômico e a geração de empregos.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/.

O segmento destacado no trecho “Tais imagens cada vez mais presentes na paisagem revelam um cenário irreversível e bem-vindo: a democratização da eletrificação e a abundante oferta de energia renovável.” (linhas 2 a 4) refere-se a uma


A

estratificação.


B

especificação.


C

explicação.


D

exemplificação.


E

enumeração.