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“Foi Olavo Bilac que, em parnasianíssimo soneto, tratou a...

Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 8.


Inculta, bela e complicada


Guilherme Tauil


Foi Olavo Bilac que, em parnasianíssimo soneto, tratou a Língua portuguesa por “última flor do Lácio, inculta e bela”, referindo-se ao fato de que o nosso idioma foi o último a se desprender do latim vulgar, isto é, aquele praticado por gente como a gente, na região do Lácio, onde outrora retumbaram hinos do império romano. Por isso, inculta. Bela, é claro, não carece de explicação.

Embora ao falante de português seja muito justo o sentimento de gratidão por não ter sido alfabetizado em alemão ou em húngaro, é inegável que o adjetivo “complicada”, ou ao menos “complicadinha”, cairia bem no poema de Bilac dedicado à língua materna. Nossos tropeços são muitos, as dúvidas incontáveis, e vira e mexe tornam-se assunto dos cronistas — que, pelo menos uma vez por semana, estavam à mercê dos becos obscuros do idioma.

Em uma crônica com certa pinta de artigo, de nome “Ninguém sabe crasear, mas ler todo mundo lê”, Otto Lara Resende embarcou na discussão vigente sobre a crase, talvez uma das maiores dificuldades do português. O assunto estava em voga porque gramáticos e acadêmicos começavam a cozinhar o tal Acordo Ortográfico, que entraria em vigor para nós apenas quase duas décadas depois. Alguns entusiastas da simplificação, talvez num ímpeto anarcogramatical, propuseram sumir com a crase como fizeram com o trema. Otto era contra: “Se todo mundo soubesse crasear, ou se a crase fosse abolida, é possível que tivesse passado a vida desempregado”, disse. Foi às custas dela que fez sua carreira. O mesmo valia para seu pai, Antônio Lara Resende, que criou a numerosa prole de 20 filhos como professor de português e latim, “em boa parte graças à crase”.

Anos antes, o poeta Ferreira Gullar tinha publicado no Diário de Notícias, dirigido por Otto, uma série de aforismos sobre a contração, formulando “as novas tábuas de lei nessa matéria”. O primeiro mandamento era “A crase não foi feita para humilhar ninguém”. A frase fez sucesso e, como acontece na internet, espalhou-se sem a marca de paternidade. Em contextos variados, foi atribuída a Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos, ao próprio Otto, a Rubem Braga, que tentou desfazer a confusão e publicou uma crônica dando os devidos créditos a Gullar.

(...) Certa vez, numa época em que vendedores de flores ofereciam suas pétalas em mesas de bares e restaurantes, Antônio Maria viu um senhor gordo, de ar próspero, pedir ao florista que escolhesse 12 de suas mais belas rosas. Queria amarelas, não tinha, aceitou as vermelhas e, depois de cheirar uma por uma, embrulhou-as com uma folha de papel transparente. Puxou do bolso um cartãozinho e se escondeu para escrever a dedicatória em silêncio, como consta em “O destino implacável das flores”.

(...) “Como é mesmo que se escreve ‘exímia’?”. “Com ‘x’ mesmo”, explica o escritor. O sujeito apaixonado, um pouco espantado com a resposta, sente necessidade de se justificar: “São para uma bailarina”.

Sorrindo, Antônio Maria foi embora para casa, pensando que, em algumas horas, a moça estaria recebendo mais 12 botões de rosas, com um cartão de ponta virada, onde leria sem muitas emoções: “À exímia bailarina, o seu mais ardoroso admirador”.


Adaptado de: https://cronicabrasileira.org.br/res-dochao/19663/inculta-bela-e-complicada. Acesso em: 29 de ago. 2024.

“Foi Olavo Bilac que, em parnasianíssimo soneto, tratou a Língua Portuguesa por ‘última flor do Lácio, inculta e bela’.”

No total, as palavras destacadas no trecho apresentam


A

5 encontros consonantais, 4 dígrafos, 4 ditongos e 1 hiato.


B

5 encontros consonantais, 3 dígrafos, 3 ditongos e 1 hiato.


C

4 encontros consonantais, 4 dígrafos, 3 ditongos e 2 hiatos.


D

6 encontros consonantais, 4 dígrafos, 5 ditongos e 1 hiato.