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No texto, há o uso da flexão do plural do -ão tônico em “…e...

A IA, os causídicos e o ChatGPT


01 O jornal espanhol El País fez interessante editorial

02 sobre a coqueluche (ou a pandemia) do momento:

03 a tal inteligência artificial ChatGPT.


04 Com o tempo, cada vez mais os sistemas IA farão

05 interfaces com nossos dispositivos e se tornarão

06 uma espécie de oráculos de nossas atividades

07 profissionais.


08 É por isso que o jornal chama a atenção: há riscos

09 nisso e devemos tomar medidas para mitigá-los

10 antes que eles se tornem uma unanimidade.

11 Uma IADependência (a palavra é minha).


12 Prós: sua capacidade de analisar grandes

13 quantidades de dados e fazer previsões oferece

14 uma assistência valiosa na previsão de desastres,

15 diagnóstico de doenças, gerenciamento de recursos

16 a longo prazo e eficiência no transporte. Suas

17 habilidades já aliviam muitos meios de comunicação

18 de acompanhar as flutuações da bolsa de valores,

19 transmitir o futebol de ligas menores ou prever o

20 tempo. E servem à educação, oferecendo a

21 possibilidade de reforço personalizado em

22 disciplinas especializadas, desde a matemática até o

23 latim.


24 Contras: o fato é que não podemos automatizar

25 estas funções sem mitigar as prováveis

26 desigualdades que cresceriam exponencialmente,

27 por exemplo, entre aqueles que mantêm acesso

28 cada vez mais privilegiado a médicos, professores,

29 secretários e jornalistas. Isto é: uma IA excludente.


30 Mais: a automação de serviços oferece vantagens

31 econômicas às empresas, que podem estar abertas

32 24 horas por dia, sete dias por semana, sem pagar

33 salários ou previdência social. Ao mesmo tempo,

34 porém, constitui um risco para a privacidade e o

35 cuidado do usuário, paciente e cidadão.


36 O ponto: é imperativo estabelecer diretrizes e

37 regulamentos claros que garantam um princípio de

38 transparência e responsabilidade no

39 desenvolvimento e implementação de modelos

40 automatizados, particularmente em empréstimos,

41 saúde, contratação ou justiça criminal.


42 A diretriz ética inegociável: nenhuma IA pode nos

43 substituir ou tomar decisões por nós; apenas nos

44 ajudar a decidir, diagnosticar, pensar melhor.


45 Dilemas e perplexidades: como evitar assimetrias

46 que surgirão entre aqueles com acesso privilegiado

47 aos dados e à gestão de plataformas digitais e os

48 nossos interesses, necessidades e diretrizes

49 regulatórias?


50 Efeitos colaterais: altos custos ambientais. Modelos

51 de treinamento como o GPT-3 exigem grandes

52 quantidades de solo, minerais, fluidos, energia e

53 capacidade computacional, e geram quantidades

54 industriais de resíduos e gases de efeito estufa.


55 Conselho: devemos colocar nossa casa em ordem

56 antes de deixá-la nas mãos da inteligência artificial.

57 A pergunta: temos a casa em ordem?


58 Na rede social, ouvi (e assisti a) um diálogo em que

59 um advogado diz que, no seu escritório, os

60 advogados e estagiários usam o Google Bard e o

61 ChatGPT para fazer petições. O que levava dias,

62 agora leva apenas algumas horas. Acentua, ainda,

63 que o advogado que hoje não entende que ele tem

64 que usar a inteligência artificial do Google, perde

65 mercado. Segundo o causídico, atualmente a

66 competição não se dá entre advogados, e, sim,

67 entre o advogado que usa inteligência artificial e o

68 que não usa. E o diálogo se encerra com a

69 “advertência de uma advogada”, com ar

70 professoral: ou você usa o recurso para se

71 aprimorar ou você está fora do mercado; não tem

72 o que fazer, não tem como você ficar criticando a

73 inteligência artificial, ela não vai sumir.


74 E há um dado que é um chute na canela dos

75 usuários da IA: o ChatGPT já faz textos melhores

76 que a ampla maioria – mas ampla, mesmo – dos

77 formados em Direito. O ChatGPT é melhor que o

78 seu usuário. Bem feito. Perdeu, mané. Daí a

79 pergunta: somos capazes de construir máquinas

80 que fazem as coisas melhores que nós e nós

81 mesmos não conseguimos ser melhores do que

82 somos? Será o nosso fim?


83 Não, não respondam.


Lenio Luiz Streck é professor, parecerista, advogado e sócio fundador do Streck & Trindade Advogados Associados: www.streckadvogados.com.br.


Disponível em: https: //conjur.com.br. 14/03/2024. Acesso em 18/08/2024. Adaptado.

No texto, há o uso da flexão do plural do -ão tônico em “…e fazer previsões oferece uma assistência valiosa na previsão de desastres… (linhas 13-14)


O substantivo que pode apresentar até três formas do plural do -ão tônico é


A

cidadão.


B

charlatão.


C

vilão.


D

automação.