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A opção em que a classe gramatical do "que" difere das...

Texto II


Quanta saudade!


____ Houve um tempo em minha vida em que o meu

quintal era o meu mundo. Lá estava tudo do que eu

gostava, inclusive os meus sonhos mais íntimos, tudo

depositado naqueles metros quadrados de pura magia.

5 Chegava da escola e ia direto para lá. Ali eu podia sonhar,

jogar pião, conversar com os passarinhos e com as

árvores que abrigavam os seus ninhos, e algumas

dessas árvores me eram muito significativas, pois tinham

sido plantadas por mim. Quem saísse pela porta da

10 cozinha, sob uma cobertura de telhas, dava com um

fogão de lenha que estava sempre aceso, mantendo

quente um bule de café e, logo após, à sua direita,

encontrava um lindo pessegueiro, pelo qual eu subia

no telhado e ganhava toda a cidade num único olhar.

15 À esquerda, na outra ponta, havia um pé de araçá. Araçá

é uma frutinha pequena, redondinha, que parece uma

goiaba, tem a casca mais fina e até a mais doce delas é

azedinha, mas de um azedinho fabricado por algum gnomo

alquimista que, com certeza, sempre a regava com o seu

20 baldinho encantado. A parreira oferecia uma sombra

irresistível e uvas de uma doçura sem igual. Mas o xodó

mesmo era com o meu pé de tamarindo. Frondoso,

aconchegante, perfumado pelas flores que iam dar lugar

a deliciosos frutos. Pendurado ali, eu era a mais feliz das

25 criaturas. Dividia com os sabiás aqueles galhos. Bandos

de pardais vinham nos visitar. Ágeis beija-flores, curiós,

curruíras inquietas. Alguns pássaros comiam os

tamarindos ainda no pé. Outros procuravam no chão os

mais maduros. Certa vez, um pintassilgo fez um duelo

30 musical com um canário da terra. Era como se derramas-

sem notas musicais em pautas abençoadas com todas

as claves e eu ali: espectador e ouvinte, pasmo com

tanta beleza, fazia parte da mesma cena. Vi filhotes

nascerem, serem alimentados, alçarem seus primeiros

35 vôos, conquistarem os céus. Como eles, um dia, eu tive

que voar, sair do meu quintal, ganhar as ruas, enfrentar

desafios, conquistar espaços. Mas até hoje eu carrego

comigo essas lembranças tão boas. Talvez por isso

tenha escrito na letra de uma canção: “quanta saudade

40 de rever esse cenário, do gorjeio do canário, ecoando

na amplidão. Quanta saudade do fogão de lenha aceso,

aquecendo bem ligeiro o jantar e o coração...”

Revista Living News. Ano 3. n.10. dez 2003. p.20

A opção em que a classe gramatical do "que" difere das demais é:

A
"...em que o meu quintal era o meu mundo." (l. 1-2).

B
"...que abrigavam os seus ninhos," (l. 7).

C
"...que estava sempre aceso," (l. 11).

D
"...que iam dar lugar..." (l. 23).

E
"...que voar," (l. 36).