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No texto, encontramos o vocábulo “cidadãos” (linha 100) que...

Inteligência Artificial no Mercado Editorial:

Possibilidades e desafios éticos


Gabriel Cunha Leal de Araújo, 09/04/2024


01 O uso da Inteligência Artificial Generativa

02 (IAG) e suas repercussões têm sido

03 acompanhados nas mais diversas esferas,

04 devido principalmente à facilidade que ela traz

05 para produção de conteúdo e operacionalização

06 das atividades de maneira automatizada. Um

07 dos mercados mais impactados por essas

08 novidades é o mercado editorial. Como veremos

09 a seguir, a IA, apesar de trazer várias facilidades

10 ao trabalho, também coloca a nossa frente

11 novos desafios e exigências de seus

12 profissionais. Requer, pois, um olhar crítico e

13 aprofundado sobre as desigualdades que ela

14 pode produzir, se for utilizada de forma

15 incorreta.

16 O mercado editorial, e aqui pretendo me

17 referir a ele em todas as suas possíveis

18 ramificações, não apenas relacionadas aos

19 grandes conglomerados editoriais de livros

20 tradicionais, mas também à editoração científica

21 e de conteúdo num geral, tem se beneficiado da

22 utilização das diversas atribuições da IAG que

23 fazem parte do seu rol de atividades. Desde a

24 geração automática de conteúdo, passando pela

25 revisão gramatical e até pela própria criação de

26 ilustrações para publicação.

27 Algumas dessas tarefas, como a revisão

28 gramatical, podem ser entediantes e

29 dispendiosas, porém a utilização da IA pode

30 favorecer o trabalho e facilitar essa rotina.

31 Escrever um artigo científico e verificar se a

32 normalização está de acordo com o solicitado

33 pela revista é um compromisso muitas vezes

34 mais técnico do que intelectual. Para quem já se

35 esforçou intelectual e criativamente para a

36 elaboração de ideias e de conteúdo, ter que se

37 preocupar com a normalização pode ser muitas

38 vezes frustrante. Nesse contexto, as

39 ferramentas de IA são um importante auxílio

40 para o autor e revisores. Podem ser ampliadas,

41 por exemplo, se utilizadas como auxiliadoras no

42 processo de tradução ou na geração de

43 resumos, sob um posterior olhar profissional

44 qualificado.

45 Entretanto, as possibilidades que a IA traz

46 para o trabalho editorial, se forem usadas

47 indiscriminadamente, podem muitas vezes

48 esbarrar em uma área cinzenta: onde o que é

49 ético ou não. Quando utilizamos a ferramenta

50 não para correção, mas para geração de

51 conteúdo, é correto aceitar uma autoria que na

52 verdade não existe? É esperado que não

53 saibamos as fontes exatas do que colocamos

54 para publicação? É bom senso que

55 consideramos como abstração intelectual um

56 resultado proveniente de uma ferramenta

57 estatística sofisticada de prospecção de palavras

58 que imitam a linguagem humana? Até esse

59 ponto podemos considerar uma ferramenta

60 algorítmica como fonte de informação e de

61 autonomia científica, criativa e intelectual?

62 Esses questionamentos, apesar de

63 importantes, não abarcam nem a metade dos

64 problemas que podemos ter com as IAs. Essas

65 ferramentas também apresentam (em seu

66 estado atual da arte) diversas questões

67 complexas sobre sua construção. Os modelos de

68 aprendizado profundo de máquina (Deep

69 Learning) possuem um enorme custo de

70 energia, e os recursos computacionais usados

71 para treinar esses modelos produzem uma

72 grande pegada de carbono. Além disso,

73 questões intrínsecas à sua construção, como a

74 opacidade algorítmica por trás dessas

75 ferramentas e os próprios dados usados para

76 alimentar e fomentar o aprendizado da máquina

77 levantam questões relacionadas à privacidade e

78 aos problemas relacionados ao treinamento por

79 dados invejados e com potencial

80 desinformativo.

81 A IA deve ser entendida como uma

82 facilitadora para as atividades editoriais, e ser

83 utilizada como os softwares de apoio no nosso

84 dia a dia de trabalho. Ela precisa ser parte

85 auxiliar do processo editorial, e não o processo

86 editorial em si. Realmente queremos renunciar

87 à sensibilidade artística dos ilustradores para

88 terceirizar esse serviço às ferramentas de IA? O

89 quão nocivo seria quebrar o contrato implícito

90 entre o autor e seu público, que espera que ler

91 algo produzido por ele, e não por uma

92 inteligência artificial?

93 Não existe uma solução fácil nem definitiva

94 quando tratamos do avanço da tecnologia de IA

95 nas práticas editoriais. Assim como muitas das

96 tecnologias disruptivas anteriores, ela vem

97 consolidando seu espaço, e seu papel na

98 otimização dessas práticas é inegável. Diante

99 desse cenário, cabe a nós, como profissionais e

100 cidadãos interessados, estabelecer os limites

101 éticos de sua boa utilização, sempre tendo como

102 norte a importância da atenção artística e

103 intelectual humana na produção de conteúdo.


Disponível: https://portal.fgv.br/en/node/31487. Acesso em: 15/08/2024. Adaptação.

No texto, encontramos o vocábulo “cidadãos” (linha 100) que admite a única forma plural -ãos. A palavra que se flexiona seguindo a mesma regra é


A

charlatão.


B

guardião.


C

tabelião.


D

cristão.