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Leia o texto.
(Clarice Lispector)
"Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... o de mais nada fazer."
Sobre a expressão um último recurso (l. 2), é correto afirmar que:
apresenta valor anafórico, pois retoma um termo anterior.
o uso de dois pontos logo após a expressão confirma seu valor anafórico.
trata-se de uma expressão adjetiva usada para evitar repetição.
possui um valor catafórico, pois antecipa o que será dito posteriormente.