

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
Morcegos infestam escolas indígenas no Xingu construídas para compensar Belo Monte
Por Isabel Seta
01 Pelo menos duas escolas de aldeias indígenas no Médio Xingu, no Pará, estão tomadas por
02 infestações de morcegos que impedem a realização de aulas para cerca de 150 alunos.
03 Imagens exclusivas obtidas pela Agência Pública mostram o piso de lajotas das construções
04 coberto por uma espessa camada de cor marrom. As paredes brancas estão sujas de rastros de
05 fezes. Em várias salas, o forro do teto cedeu, tamanho o peso dos dejetos. Nos banheiros, insetos
06 se aglomeram em cima da sujeira. Em um vídeo gravado para a reportagem, é possível escutar
07 o som dos morcegos.
08 É nesta situação insalubre que se encontram as escolas da aldeia Iriril, localizada na Terra
09 Indígena Cachoeira Seca, lar de quase 2.000 indígenas Arara, e da aldeia Ita’Aka, na Terra
10 Indígena Koatinemo, onde vivem cerca de 300 pessoas da etnia Assurini do Xingu. A maior parte
11 dos dois territórios indígenas está no município de Altamira.
12 Ambas as escolas foram construídas pela empresa Norte Energia como parte das ações de
13 compensação pela Usina Belo Monte. A segunda maior hidrelétrica do Brasil afetou 13 Terras
14 Indígenas, barrou o fluxo do rio Xingu – impactando dezenas de espécies – e expulsou ribeirinhos
15 e beiradeiros de suas casas, empurrando-os para periferias de centros urbanos, como o de
16 Altamira.
17 Há relatos de outros casos de infestação, porém eles não foram documentados. Como todas
18 as escolas da Norte Energia foram construídas da mesma forma, com o mesmo forro, é possível
19 que o problema se repita em mais lugares.
20 A situação vem à tona no momento em que a licença de operação de Belo Monte completa
21 três anos vencida. A autorização expirou em 24 de novembro de 2021, mas como a empresa
22 pediu a renovação dentro do prazo estipulado por lei, a usina pode continuar operando até a
23 manifestação definitiva do Ibama, que ainda não se pronunciou sobre a renovação ou não da
24 licença.
25 “O odor é muito forte. A gente tem medo de causar doença. Dá muita dor de cabeça nos
26 nossos filhos”, relata Tyapompo Arara, da aldeia Iriri, onde a presença dos animais já
27 comprometeu a rede elétrica, deixando a escola no escuro.
28 A preocupação com a saúde é justificada, já que morcegos podem transmitir doenças
29 infecciosas graves, como raiva e leptospirose.
30 “A estrutura está cada vez mais sendo danificada. Isso nos deixa muito preocupados. A gente
31 vem passando essa informação para a Norte Energia, para os órgãos e até agora não tomaram
32 providências”, afirma Kwai Assurini, cacique da aldeia Ita’Aka.
(Disponível em: apublica.org/2024/11/morcegos-tomam-escolas-indigenas-feitas-para-compensar-belo-monte/–texto adaptado especialmente para esta prova).
Quanto à predicação, o verbo empregado na frase adaptada do texto “O forro do teto cedeu” é:
Intransitivo.
De ligação.
Transitivo direto.
Transitivo indireto.
Transitivo direto e indireto.