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Texto
O MUNDO É DOS INFLUENCIADORES?
Fernando Sobral
De um momento para o outro, os influenciadores digitais conquistaram o mundo e, claro, as marcas de luxo. Para trás, ficaram os meios de divulgação habituais. Mas chegam agora novos tempos: os da autenticidade, da confiança e da exclusividade. Sobreviverá a maioria dos influenciadores a esses tempos?
Os influenciadores digitais (influencers) estão em todas as esquinas da internet. No Youtube, no lnstagram, no Twitter, no Facebook; desafiam os fãs a seguirem os seus humores e as suas paixões. Serão eles a grande força da rede? Donos de blogues e de canais de sucesso nas redes sociais, os influencers têm mudado a forma como as informações são consumidas no mundo digital, e essa mudança é tão poderosa que contaminou os meios de comunicação e a publicidade. Foi uma corrida rápida: começou com os blogues, mas ganhou um poder enorme quando passou a ocupar o lugar da frente em veículos como o Youtube ou o lnstagram. Os criadores de conteúdos passaram a ser o centro das atenções.
Os números são demolidores: segundo a MediaKix, os marketeers vão gastar, este ano, 8,5 mil milhões de dólares com influenciadores, e a montanha russa subirá até aos 10 mil milhões de dólares, em 2020. Não é para admirar: Kim Kardashian ganha, por post, cerca de 300 mil dólares. Até os micro influenciadores ganham alguma coisa do gigantesco bolo. Ficar famoso na internet tornou-se um (bom) negócio. Os influenciadores digitais tornaram-se as novas estrelas do mundo publicitário e passaram a disputar a atenção com as mídias tradicionais. Os dados relativos às audiências parecem dar-lhes razão. Mas será assim? Nunca se falou tanto de influencers (ou influenciadores) como nos últimos anos. Tornaram-se famosos por serem famosos nas redes sociais, devido ao seu elevado número de contatos e seguidores no Facebook ou no lnstagram (ou nas novas redes que vão surgindo). E são, cada vez mais, mensageiros privilegiados para atividades comerciais e publicitárias. Com a enorme influência das redes digitais, tornaram-se um meio quase perfeito para as empresas divulgarem os seus produtos. Divulgam e, pouco ou nada, opinam . E, se o fazem, é de forma positiva. O poder direto dos influenciadores - que, provavelmente, devem o seu nome ao livro lnfluence: Science and Practice, de Robert Cialdini - revelou-se um poder enorme, o que não é surpreendente.
As empresas de todas as áreas de consumo seguem-nos com atenção. Não é um acaso. A ascensão dos influenciadores está ligada a mudanças fundamentais na indústria do luxo e, claro, na conexão digital e tecnológica de todo o mundo. Um estudo de 2017 da consultora Bain indicava que os miliennials (geração que nasceu.entre 1980 e 1996) representavam já 30% dos consumidores de produtos de luxo. E eles estão profundamente ligados ao mundo digital.~Os investimentos das marcas no marketing junto dos influenciadores foram também catapultados pela crescente popularidade do software de bloqueio de publicidade na internet, pondo em causa os seus gastos em anúncios. Para lá disso, as empresas passaram a incluir posts pagos em blogues, e esse estilo de conteúdos avançou para revistas e jornais. Jean Claude Biver, CEO da TAG Heuer e presidente da divisão de relógios da LVMH, disse ao Financial Times que: "A nova geração é um mercado importante, porque é um grande merc.ado e é o mercado de amanhã". Notava ele que associações com embaixadores como Cristiano Ronaldo ou a modelo Bella Hadid, que têm, respectivamente, 118 milhões e 16,5 milhões de seguidores no lnstagram, resultaram no aumento da presença de millennials na base de consumidores da marca.
Na perspectiva das marcas de relógios e de joias, as colaborações têm mais sucesso se os influenciadores acabarem por estabelecer uma relação genuína de afeição com os produtos que lhes foram oferecidos e os usarem além do período contratual. A seletividade também é importante para os influenciadores. Um caso exemplar é o de Chiara Ferragni, uma celebridade das redes sociais que colabora com a Cartier desde 2014, em projetos como o Panthêre. A Cartier foi uma das pioneiras da ligação às redes sociais, sobretudo nas linhas de braceletes e joalheria. Mas é aqui que surge o reverso da medalha. Olivier Billon, um dos pioneiros do marketing influenciador, cujo primeiro trabalho na área dos relógios foi com o Dior VIII, em 2011, para o qual orquestrou um encontro de influenciadores em Paris a favor da marca, diz que as marcas devem ter cuidado, para não dependerem apenas dos conteúdos gerados pelos influenciadores. O que é preciso é um balanço entre o conteúdo dos influenciadores e o conteúdo mais vasto das marcas, diz. Até porque as autoridades, sobretudo nos EUA, já têm investigado conteúdos pagos para proteger os consumidores.
(...)
(Fonte: https://espiraldotempo.com/cronica-economia-o-mundo-e-dos-influenciadores/ - Adaptado)
Analise o sentido e a função dos termos destacados e identificados por números no período abaixo, transcrito do texto, e assinale a alternativa INCORRETA.
"Donos de blogues e de canais de sucesso nas redes sociais, os influencers têm mudado(1) a forma como(2) as informações são consumidas(3) no mundo digital, e essa mudança é tão poderosa(4) que(5) contaminou os meios de comunicação e a publicidade."
(2) introduz uma oração com valor adverbial e sentido de modo.
(1) é uma forma verbal que indica uma ação duradoura num passado recente e que continua até o tempo presente.
(4) é uma oração principal com o sentido de causa.
(3) é uma forma verbal que se encontra na voz passiva, em que o sujeito recebe ou sofre algum tipo de ação.
(5) é uma conjunção que introduz uma oração com valor adverbial e sentido de consequência.