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Releia: “[...] Certos ácidos adoçam a boca murcha dos...

Leia o texto 2 a seguir para responder as questões 04 e 05.


Texto 2


O amor bate na aorta


Cantiga de amor sem eira

nem beira,

vira o mundo de cabeça

para baixo,

suspende a saia das mulheres,

tira os óculos dos homens,

o amor, seja como for,

é o amor.


Meu bem, não chores,

hoje tem filme do Carlito.


O amor bate na porta

o amor bate na aorta,

fui abrir e me constipei.

Cardíaco e melancólico,

o amor ronca na horta

entre pés de laranjeira

entre uvas meio verdes

e desejos já maduros.


Entre uvas meio verdes,

meu amor, não te atormentes.


Certos ácidos adoçam

a boca murcha dos velhos

e quando os dentes não mordem

e quando os braços não prendem

o amor faz uma cócega

o amor desenha uma curva

propõe uma geometria.

Amor é bicho instruído.


Olha: o amor pulou o muro

o amor subiu na árvore

em tempo de se estrepar

Pronto, o amor se estrepou.

Daqui estou vendo o sangue

que escorre do corpo andrógino.

Essa ferida, meu bem,

às vezes não sara nunca,

às vezes sara amanhã.


Daqui estou vendo o amor

irritado, desapontado,

mas também vejo outras coisas:

vejo corpos, vejo almas

vejo beijos que se beijam

ouço mãos que se conversam

e que viajam sem mapa.

Vejo muitas outras coisas

que não ouso compreender…


ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do mundo. Rio de Janeiro: Editora Record, 1940

Releia:


“[...] Certos ácidos adoçam

a boca murcha dos velhos”


Marque a assertiva que corresponde à figura de linguagem presente nos versos acima:


A

Antítese.


B

Hipérbole.


C

Ironia.


D

Paradoxo.


E

Catacrese.