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Leia o texto para responder às questões de números 07 a 09.
A evolução é muito esperta. Incríveis as coisas que ela faz: baleias-azuis, mitocôndrias, sequoias gigantes, fotossíntese, tiranossauros rex. Uma das sacadas mais espetaculares que a evolução inventou foi dotar de um brilhante sistema de recompensas os animais: a cada vez que fazemos algo certo, ganhamos de presente uma dose de prazer. É dopamina, que nos deixa felizes, e querendo mais. E aí aprendemos a continuar fazendo coisas certas.
Só por causa desse sistema seguimos existindo neste mundo. É ele que nos premia quando terminamos um trabalho bem feito ou nos alimentamos bem e que nos estimula a investir tempo e energia na coisa mais difícil que existe: relações sociais e afetivas. Não fosse a busca por dopamina, que estímulo teríamos para cuidar dos filhos, dos amigos, da comunidade? Ficaríamos sozinhos, de papo para o ar, sem ânimo para juntar uma galera e caçar um mamute, quanto mais para construir uma civilização ultratecnológica, globalmente conectada.
O problema é que essa civilização ultratecnológica, globalmente conectada, deturpou nosso sistema de recompensas. Mark Zuckerberg1 e sua turma descobriram um substituto de baixo custo para o prêmio que conseguimos cultivando relações complicadas. Basta uma fotografia fofa, uma piada engraçada ou – o mais eficaz de todos – uma declaração de ódio indignado e contagiante, e logo começam a pipocar afagos virtuais – joinhas, coraçõezinhos, gargalhadas, ou mesmo rostos furiosos cheios de empatia. São manifestações de aprovação à distância, suficientes para estimular o sistema de recompensas e inundar neurônios de dopamina. E aí o cérebro cuida do resto: aprende a querer mais. Viramos seres sedentos de curtidas.
(Denis R. Burgierman. A evolução, a internet e o mundo real (coitado). www.nexojornal.com.br, 05.12.2018. Adaptado)
1 Mark Zuckerberg: criador da rede social Facebook.
Assinale a alternativa em que a expressão entre colchetes substitui a que está destacada, em conformidade com a norma-padrão de regência verbal e nominal.
Uma das sacadas mais espetaculares que a evolução inventou foi dotar de [guarnecer a] um brilhante sistema de recompensas os animais… (1º parágrafo)
… quando terminamos um trabalho bem feito ou nos alimentamos bem e que nos estimula a [anima de] investir tempo e energia na coisa mais difícil que existe… (2º parágrafo)
Não fosse a busca por [procura a] dopamina, que estímulo teríamos para cuidar dos filhos, dos amigos, da comunidade? (2º parágrafo)
Ficaríamos sozinhos, de papo para o ar, sem disposição para [vontade de] juntar uma galera e caçar um mamute… (2º parágrafo)
E aí o cérebro cuida do resto: aprende a querer mais. Viramos seres sedentos de [desejosos por] curtidas. (3º parágrafo)