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As questões de números 1 e 2 referem-se aos versos seguintes, do poema Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto.
− Desde que estou retirando
só a morte vejo ativa
só a morte deparei
e às vezes até festiva;
só a morte tem encontrado
quem pensava encontrar vida,
e o pouco que não foi morte
foi de vida severina
(aquela vida que é menos
vivida que defendida,
e é ainda mais severina
para o homem que se retira).
Penso agora: mas por que
parar aqui eu não podia
e como o Capibaribe
interromper a minha linha?
Ao menos até que as águas
de uma próxima invernia
me levem direto ao mar
ao refazer sua rotina?
Nesses versos, um retirante
proclama a decisão de interromper sua penosa retirada, uma vez que se desviou do curso do rio Capibaribe, que lhe servia de guia e transporte, com suas águas rápidas e abundantes.
reafirma sua teimosa esperança de viver dias melhores, contando, para isso, com a chegada do inverno e, conseqüentemente, de dias mais amenos, quando poderá enfim chegar ao seu destino, que é o rio Capibaribe.
percebe que se afastou do itinerário previsto para a viagem e cogita voltar para sua terra, na esperança de que lá já tenham chegado as águas da invernia e de que o Capibaribe venha a salvar a lavoura que lá deixou.
mostra a frustração da expectativa que o levou à retirada, pois por toda parte só encontra a negação da vida, e cogita interromper a viagem até que cheguem as chuvas e ele possa conduzir-se pelo Capibaribe até o litoral.
confessa ter aprendido a dar mais valor à vida de quem emigra, pois se em sua terra a paisagem era marcada pela morte, agora, na invernia severa, pressente que as águas vão chegar e que o Capibaribe lhe servirá de guia pelo sertão.