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Um convite para se reencontrar
Por Sandra Cecília Peradelles
01 Caríssimo, este texto é sobre você. Sim, sobre sua existência, seu valor, sua essência. Um
02 lembrete de que, antes de qualquer coisa, há um protagonista na sua história. E esse
03 protagonista é você.
04 Existe uma linha finíssima, quase invisível, entre ser uma boa pessoa para si e ser uma
05 boa pessoa apenas para os outros. De um lado, você se enxerga, se respeita, compreende que
06 tem dignidade e direito a ocupar espaço no mundo. Do outro, abre mão de si, se dissolve em
07 demandas alheias, esquece de existir enquanto ser. O brilho se apaga, a subserviência toma
08 conta, e você se torna um vulto de si mesmo.
09 Desprezar sua própria identidade é abrir caminho para o abismo. Um passo a mais para
10 longe de si e, de repente, você se perde. No fundo desse buraco, tudo é escuro, nem sombra há
11 para lhe guiar. Mas, eis uma boa nova: se a escuridão for total, olhe para cima. A luz está lá. É
12 o chão for enlamaçado, que sirva ao menos para o impulso de um salto. Afinal, não há outra
13 opção _____ sair dali.
14 O curioso é que a queda é fácil. A sociedade não se cansa de oferecer empurrõezinhos.
15 Certamente, você já ouviu frases como: "seja humilde", "ame o próximo", "o amor é uma
16 prisão", "o trabalho dignifica o homem", "família acima de tudo". Pequenos mantras repetidos
17 sem questionamento, talhados .... exaustão no tecido social.
18 Veja bem, eu não discordo dessas sentenças de todo. Elas carregam verdades que foram
19 moldadas por séculos. Mas me pergunto
ainda fazem sentido nos dias de hoje? Tomá-las como
20 dogmas inquestionáveis é um convite ... ansiedade. É um chamado para o descontentamento e
21 a dependência de psicotrópicos.
22 Vamos decupar essas ideias. A quem serve um amor que é sofrimento? Que valor tem um
23 ________ que anula o próprio ser? Excesso de humildade pode transformar alguém em
24 tapete para ser pisado. O trabalho
que sim, pode ser dignificante
não pode ser a única
25 fonte de dignidade. A família, por sua vez, não é uma bênção inquestionável; há laços de
26 sangue que machucam mais que qualquer estranho.
27 Não estou falando de negar o amor, o trabalho, a família. _____ de se colocar no centro
28 da própria existência. De compreender que nenhuma relação deve ser baseada na anulação de
29 um dos lados. Amar sim, mas sem se perder. Trabalhar sim, mas sem se consumir. Valorizar
30 quem está por perto, mas sem se submeter. ... relações que ferem.
31 Se você não se enxerga, se não reconhece o próprio valor, você não existe. E um ser
32 inexistente não ama de verdade, não constrói, não chega a lugar nenhum. Isso não é egoísmo.
33 É sobrevivência.
34 Em resumo, viver exige protagonismo. Dentro do equilíbrio de ser parte de uma sociedade,
35 é essencial construir nossas próprias regras de ___. Tudo começa ao entender que somos
36 únicos, necessários e insubstituíveis para nós mesmos. Antes de fazer algo pelo mundo, é
37 preciso saber quem somos dentro dele.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/sandra-cecilia-peradelles/noticia/2025/02/um-
convite-para-se-reencontrar.html - texto adaptado especialmente para esta prova)
Assinale a alternativa que indica a correta função sintática do termo “Caríssimo” na linha 01.
Sujeito.
Predicativo do sujeito.
Objeto direto.
Vocativo.
Complemento nominal.