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No fragmento textual “abriu-se um sulco no solo” (l. 04), o...

O anel de Giges


  1. Não podemos negar que há homens que, embora não cometam nenhuma injustiça, prefeririam ter o poder de fazê-lo
  2. impunemente, caso quisessem. Tomemos como exemplo o pastor Giges. Este, segundo a história, era um simples pastor a serviço
  3. do rei da Lídia.
  4. Um dia, aconteceu que a terra tremeu, e abriu-se um sulco no solo, no lugar onde ele se encontrava pastoreando. Admirado,
  5. desceu ao fundo da abertura e encontrou um cavalo de bronze, maior que um cavalo natural, e umas portas. Tendo aberto as
  6. portas, encontrou um corpo morto, maior que o corpo de um homem natural, e junto a ele um anel. Depois de ter retirado o anel
  7. do dedo do morto, saiu da abertura.
  8. Com esse anel no dedo, foi assistir à assembleia habitual dos pastores, que se realizava todos os meses, para informar ao
  9. rei o estado dos seus rebanhos. Tendo ocupado o seu lugar no meio dos outros, virou, sem querer, a pedra do anel para o interior
  10. da mão; imediatamente se tornou invisível aos seus vizinhos, que falaram dele como se não se encontrasse ali.
  11. Assustado, apalpou novamente o anel [...]. Assim que teve certeza, conseguiu juntar-se aos mensageiros que iriam
  12. conversar com o rei. Chegando ao palácio, ele seduziu a rainha, conspirou com ela a morte do rei, matou-o e obteve, assim, o
  13. poder.
  14. Agora suponha que existam dois anéis dessa natureza, e o justo recebesse um, e o injusto, outro. É provável que nenhum
  15. fosse de caráter tão firme para perseverar na justiça e para ter a coragem de não se apoderar dos bens de outra pessoa. Afinal, ele
  16. poderia tirar sem receio o que quisesse dos mercados e lojas, introduzir-se nas casas para se unir a quem lhe agradasse, matar uns,
  17. libertar outros da prisão e fazer o que quisesse, tornando-se igual a um deus entre os homens.
  18. Agindo assim, nada o diferenciaria do mau: ambos tenderiam para o mesmo fim. Isso é uma grande prova de que ninguém
  19. é justo por vontade própria, mas por obrigação, não sendo a justiça um bem individual, visto que aquele que se julga capaz de
  20. cometer a injustiça comete-a.


Adaptado de https://www.netmundi.org/filosofia/o-anel-de-giges-uma-lenda-sobre-a-moralidade/. Acesso em: 17 set. 2024

No fragmento textual “abriu-se um sulco no solo” (l. 04), o verbo abrir está na voz passiva sintética; caso ele seja colocado na voz passiva analítica, tem-se qual oração?


A

Foi aberto um sulco no solo.


B

Era aberto um sulco no solo.


C

Seria aberto um sulco no solo.


D

Tinha sido aberto um sulco no solo.