Imagem de fundo

“Que como a grave pedra tem por arte O centro desejar da...

Leia o poema de Luís de Camões para responder às questões de 29 a 33.

SONETO VIII

Pede o desejo, dama, que vos veja,

Não entende o que pede, está enganado.

É este amor tão fino e tão delgado1,

Que quem o tem não sabe o que deseja.

Não há cousa a qual natural seja

Que não queira perpétuo seu estado,

Não quer logo o desejo o desejado,

Por que não falte nunca onde sobeja2.

Mas este puro afeito3 em mim se dana,

Que como a grave4 pedra tem por arte

O centro desejar da natureza.

Assi5 o pensamento (pela parte

Que vai tomar de mim, terrestre, humana)

Foi, senhora, pedir esta baixeza.

(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.)

1delgado: delicado.

2sobejar: sobrar, ter em excesso.

3afeito: afeto, sentimento.

4grave: pesada.

5assi: assim.

“Que como a grave pedra tem por arte

O centro desejar da natureza.” (3a estrofe)


Em ordem direta, esses versos assumem a seguinte forma:


A

Como a pedra grave tem que desejar o centro por arte da natureza.


B

Que a grave pedra, por natureza, tem como desejar o centro da arte.


C

O centro da arte tem que desejar a pedra grave como por natureza.


D

O centro grave da pedra tem, por arte, que desejar como a natureza.


E

Como por arte da natureza, o centro tem que desejar a pedra grave.