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O trecho no qual a palavra “que” exerce a função de...

Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 6.


01 A professora Doris Wessels se lembra bem de 2 de dezembro de 2022. Como especialista em sistemas de

02 informação na Universidade de Ciências Aplicadas de Kiel, no norte da Alemanha, ela pesquisa há anos sobre os

03 efeitos dos chamados modelos de linguagem de inteligência artificial (IA) na área de educação. Mas, quando acessou

04 o ChatGPT pela primeira vez, sentiu que aquele era um “momento mágico”.

05 O ChatGPT, um novo sistema de chat baseado em IA, foi lançado em 30 de novembro de 2022 pela empresa

06 americana OpenAl. Localizada no Vale do Silício, na Califórnia, ela tem Elon Musk entre seus fundadores. Com o

07 sistema, qualquer um pode interagir com a inteligência artificial na internet: basta introduzir perguntas ou comandos em

08 uma janela de chat, e o ChatGPT responde adequadamente a (quase) tudo. Em cinco dias, 1 milhão de usuários se

09 inscreveram para usar a plataforma — em comparação, o Instagram levou mais de dois meses para atingir esse

10 número. O ChatGPT consegue explicar, programar e argumentar. Doris Wessels também se surpreende ao dar à IA os

11 primeiros comandos: “Estamos entrando num outro mundo.” A seu ver, a magia dessa IA é difícil de descrever: “Você

12 mesmo deve experimentá-la e vivenciá-la.”

13 Para Mike Sharples, o GPT-3, um precursor do ChatGPT, já era um dos poucos “grandes avanços” que ele

14 testemunhara em seus 40 anos de carreira como pesquisador de IA. Mas o professor emérito britânico da Open

15 University também afirma que "o GPT democratiza o plágio”. Agora, os estudantes podem simplesmente dar comandos

16 ao programa para que textos sejam escritos para eles com uma linguagem perfeita — quer dizer, um “escritor

17 fantasma” agora disponível de forma gratuita para todos.

18 O ChatGPT pode ser usado para escrever textos acadêmicos, por exemplo. Mike Sharples fez a IA

19 escrever um artigo científico que "conseguiria ser aprovado numa revisão inicial”. Na internet, multiplicam-se relatos

20 sobre estudantes que usam inteligência artificial para fazer seus deveres de casa. Isso preocupa Doris Wessels, que

21 também foi uma das fundadoras do centro de competência virtual Escrever, Ensinar e Aprender com IA da

22 Universidade de Ciências Aplicadas de Kiel. Segundo ela, as faculdades e universidades alemãs correm o risco de

23 ficar para trás: pela indústria de software, que desenvolve sistemas de IA cada vez mais poderosos, e por seus

24 próprios alunos, que aprendem a usar essa tecnologia cada vez mais inteligente e mais rápido do que os professores.

25 Os estudantes geralmente descobrem esses desenvolvimentos tecnológicos em tempo real nas mídias sociais — e

26 muito mais rápido do que as gerações mais velhas. Wessels desenha um possível cenário terrificante: alunos ligados

27 em novidades tecnológicas e um professor desavisado que acha que eles fizeram um excelente trabalho porque, de

28 repente, não viu erros nos deveres de casa.

29 “Segundo Debarka Sengupta, que dirige o Centro de Inteligência Artificial Infosys, do Instituto de Tecnologia de

30 Informação Indraprastha de Nova Déli. "todos na Índia conhecem o ChatGPT”. O professor teme que o programa crie

31 um círculo vicioso: se alunos não conseguirem aprender mais a escrever textos sozinhos e usarem apenas o ChatGPT,

32 eles podem se tomar “extremamente incompetentes e dependentes” da tecnologia. No entanto, não há ainda

33 levantamentos de dados que apoiem a opinião, até devido ao pouco tempo desde o lançamento do ChatGPT. Mas,

34 assim como outros pesquisadores, Sengupta também enfatiza que "plágio e trapaça sempre existiram”. Porém, a

35 motivação dos alunos não pode ser subestimada. Ou, como crê Mike Sharples, “os alunos querem aprender e não

36 trapacear”

37 No entanto, Senqupta vê o ChatGPT como algo muito positivo. O caso de Bernadette Mathew mostraria que a

38 IA pode ajudar seus alunos. Para seu doutorado em biologia, ela pesquisa o crescimento do câncer e precisa analisar

39 uma enorme quantidade de dados. Mas, para isso, teria que saber programar — um problema, pois nunca aprendeu

40 programação em seus estudos. Senqupta ouviu falar dessas dificuldades e mostrou o ChatGPT. Agora, Mathew dá

41 tarefas ao programa, deixa que ele encontre erros em seu código e, finalmente, aprende linguagens de programação

42 com a ajuda da IA. De acordo com ela, a plataforma funciona em "99% dos casos”. E o melhor de tudo é que o

43 ChatGPT faz não apenas o trabalho dela, mas também a ajuda a realmente entender sobre programação.

44 A IA a fez sentir "capacitada" para trabalhar de forma independente, pois não precisa pedir sempre ajuda aos

45 outros: “Conversar com o ChatGPT é como falar com uma pessoa real. Se eu soubesse disso antes, poderia ter me

46 poupado muito trabalho.” Ela acredita que a IA também revolucionará o trabalho de outros biólogos, pois

47 eles poderiam, agora, concentrar-se exclusivamente na pesquisa — e não em aprender a programar. Mas o receio de

48 Mathew é este: não poder mais usar o ChatGPT em algum momento, pois no futuro o uso da IA deverá ser cobrado.

49 Doris Wessels conta que o ChatGPT também pode ajudar os alunos de outras áreas, resolvendo bloqueios de

50 redação ao reduzir o medo da folha branca e escrevendo o que muitos consideram as palavras mais difíceis: o primeiro

51 parágrafo de um texto. Para a professora, um assistente digital como o ChatGPT pode ajudar na inspiração. O

52 psicolinguista canadense Daniel Lametti, da Universidade Acadia, na província de Nova Escócia, compara a

53 importância da 1A como o ChatGPT para textos acadêmicos com a invenção da calculadora para matemática, que

54 mudou o ensino de forma fundamental.

55 Antes, apenas o resultado final — quer dizer, a solução de uma equação — era o que importava. Aí não apenas

56 a solução se tomou decisiva, mas o caminho como se chegou a ela. No futuro, os trabalhos acadêmicos não poderão

57 mais ser avaliados de acordo com a sua forma final, mas com base em como os alunos melhoraram e

58 complementaram um texto originalmente criado pela IA.

59 Assim como outros especialistas, Lametti ressalta que os textos gerados por inteligência artificial não refletem

60 a realidade, mas apenas a linguagem em que a tecnologia se baseou. O ChatGPT, porém, não entende o significado

61 dessa linguagem — como um papagaio que ouve conversas na sala de uma professora e em algum momento começa a

62 proferir frases inteligentes. Assim, parte do que o ChatGPT escreve é bom de ler, mas completamente errado. E por

63 isso a revisão feita por humanos é tão importante: ela é geralmente um desafio e requer conhecimento real - e os

64 alunos poderiam ser avaliados dessa maneira no futuro.

65 Para especialistas, uma coisa é certa: essa tecnologia não vai desaparecer. O ChatGPT se tornou um desafio

66 para o ensino, mas, concomitantemente, oferece às universidades oportunidades que elas e seus alunos podem

67 aproveitar. Debarka Sengupta já tem um palpite sobre que país vai se destacar em particular nesse tema: sua terra

68 natal, a Índia, uma amante da tecnologia.


STOCK, Lukas. ChatGPT revolucionará o ensino em universidades e escolas? Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/chatgpt-revolucionar%C3%A1-o-ensino-em-universidades-e-escolas/a-64470992. Acesso em: 18 out. 2023. [Adaptado].

O trecho no qual a palavra “que” exerce a função de conjunção integrante é:


A

“...Sengupta também enfatiza que "plágio e trapaça sempre existiram". (linha 34)


B

“No entanto, não há ainda levantamentos de dados que apoiem a opinião...” (linhas 32-33)


C

“Assim, parte do que o ChatGPT escreve é bom de ler, mas completamente errado.” (linha 62)


D

“Debarka Sengupta já tem um palpite sobre que país vai se destacar em particular nesse tema...” (linha 67)


E

“...Isso preocupa Doris Wessels, que também foi uma das fundadoras do centro de competência...” (linhas 20-21)