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Leia o trecho: “Todas as cabeças que se achavam de permeio...

Leia o poema de Mário Quintana para responder as questões de 26 a 29.


Naqueles longes tempos, era ele vítima de um cirurgião-dentista que, de repente, do outro lado da sala do café, da outra extremidade do bonde, da calçada oposta, lançava intempestivamente o seu vozeirão:

- Como vai a poesia?

Todas as cabeças que se achavam de permeio voltavam-se então para o Poeta. O poeta, nu, desmascarado, em meio à multidão! Para evitar esses atentados ao pudor, ele afinal descobriu um meio: fazer a pergunta antes que o outro a fizesse. Mal avistava o dentista, e antes que este erguesse as trombetas de sua voz, que não lhe soavam propriamente como as trombetas da Fama, mas como as cornetas falhas da Difamação – bradava alvissareiro o Poeta:

- Como vai o maçarico?!

As cabeças de permeio voltavam-se então escandalizadas ou irônicas para o Cirurgião-Dentista. Não porque fosse uma vergonha utilizar esse útil instrumento, mas porque maçarico era mesmo uma palavra muito engraçada, uma palavra que rimava com a dança do sarapico-pico-pico e com surubico. O resultado de tudo isso foi que os papéis se inverteram: o dentista pegou medo do poeta.


Fonte: QUINTANA, M. Como vai a poesia? In: Sapo Amarelo. São Paulo: Global, 2006. (adaptado).

Leia o trecho: “Todas as cabeças que se achavam de permeio voltavam-se então para o Poeta. O poeta, nu, desmascarado, em meio à multidão!”.


Assinale a alternativa CORRETA. No trecho em destaque, a palavra “nu” é utilizada no sentido:


A

Literal.


B

Formal.


C

Coloquial.


D

Denotativo.


E

Conotativo.