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No excerto “Há décadas que ouço e leio a refutação dessa...

Texto para as questões 1 a 4.

A gastronomia construída sobre fake news

1 Você provavelmente já escutou que a feijoada brasileira foi criada por trabalhadores escravizados, com os restos de carne

que a casa-grande lhes destinava: orelha, rabo e pé de porco.

Balela. Papo furado. Invenção sem pé (de porco?) nem cabeça. Os ricos daqueles tempos só comiam lombinho fresco no

dia do abate do animal. As carnes restantes eram salgadas e defumadas para consumo futuro, e aí se incluíam as partes que

5hoje consideram-se inferiores.

Não sobrava carne alguma para os escravos, essa é a verdade.

Há décadas que ouço e leio a refutação dessa lenda da feijoada, mas ela subsiste. Volta e meia aparece um chef de

cozinha ou comunicador propagando fake news sobre nosso prato nacional.

(...)

10 Tirar informação da própria orelha – o orifício permitido nesta leitura familiar – rende histórias fabulosas, bem mais

empolgantes do que a realidade.

Esta, por sua vez, tem nuances que dificultam a construção de uma historinha palatável. Também é cheia de lacunas que

impedem a montagem completa do quadro. Faltam muitas peças do quebra-cabeça.

Se reconstituir a sequência de fatos de uma guerra fartamente documentada já é dificílimo, imagine descobrir o que se

15passava nas cozinhas habitadas por gente analfabeta.

NOGUEIRA, Marcos. A gastronomia construída sobre fake news. Folha de São Paulo, 2024.

No excerto “Há décadas que ouço e leio a refutação dessa lenda da feijoada, mas ela subsiste” (L.7), os termos “dessa lenda” e “da feijoada” desempenham função sintática, respectivamente, de:


A

Adjunto adnominal e adjunto adnominal.


B

Adjunto adnominal e complemento nominal.


C

Complemento nominal e adjunto adnominal.


D

Complemento nominal e complemento nominal.