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O enfoque do ordenador resume-se na tentativa de avaliação...

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Q3838872
Teclas de Atalhos
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Ano: 2025
Prova: FCC - CGM SP - Auditor Municipal de Controle Interno - Geral - 2025

Atenção: Para responder às questões de números 8 a 15, considere o texto a seguir.


Como arquiteto e paisagista, pertenço ao grupo de estudiosos que adota o ponto de vista do ordenador, que difere do planejador, embora ambos façam parte de um mesmo processo. O enfoque do ordenador resume-se na tentativa de avaliação da cidade como uma estrutura global do meio ambiente e não somente como uma série de elementos que fortuitamente se interligaram. É possível, por exemplo, avaliar a cidade em termos de experiência pela qual passam todas as pessoas que nela vivem. Primeiro, constroem as ruas, implantam a infraestrutura, depois os prédios e, se sobrar espaço, colocam uma ou duas árvores ou um chafariz. Em torno disso, pessoas e automóveis.

Outra forma de avaliação da cidade seria através da relação entre quatro elementos: edifícios, espaço para veículos, espaço para pedestres e elementos naturais. Estamos tão acostumados a viver rodeados por edifícios e automóveis que não nos ocorre a possibilidade de questionar se eles estão fora de proporção. O espaço para pedestres é o que sobrou do espaço destinado aos automóveis. Caminhamos contornando as calçadas, ao longo das ruas ou através de estacionamentos, se o automóvel nos der passagem. Nas cidades, especialmente no centro, a vegetação constitui apenas um elemento decorativo. Se as plantas fossem de plástico, não faria diferença nenhuma, já que não tem nenhuma função específica.

Na arquitetura, uma extensa série de argumentos históricos demonstram que as árvores não são necessárias à ordenação urbana. Um dos sempre repetidos é que a praça São Marcos, em Veneza, não tem árvores. Mas esse é um tipo de argumento evasivo, pois não explica como foi construída a praça São Marcos.

É preciso não esquecer que uma árvore tem funções comparáveis as de um prédio. Ela molda o espaço, dá abrigo, modera o clima e estabelece relacionamento entre nós e os espaços mais amplos que nos rodeiam. Como um dos principais elementos do melo ambiente, não é apenas uma peça decorativa, colocada defronte a um edifício: ordena o espaço da mesma maneira que a arquitetura molda o espaço.

Além das árvores e outros elementos que compõem o conjunto urbano, é igualmente importante considerar o tipo de relação que existe entre edifícios, veículos, pedestres e elementos naturais. Tomemos o caso de São Paulo. Sobrevoando a cidade de helicóptero, o panorama é espantoso. Por que um povo inteligente construiria edifícios de vinte andares, com fachadas cheias de janelas, afastadas a cada quatro ou cinco metros, através das quais os moradores só podem se ver uns aos outros?


(Adaptado de: ECKBO. Garret. O Paisagismo nas Grandes Metrópoles. São Paulo: Ateliê, 2008, pp. 39-42)

O enfoque do ordenador resume-se na tentativa de avaliação da cidade como uma estrutura global do melo ambiente e não somente como uma série de elementos que fortuitamente se interligaram.


O trecho acima pretende


A

esclarecer o nível de abrangência da avaliação levada a cabo pelo ordenador, centrada nos aspectos que se desenvolveram à margem do planejamento urbano.


B

delimitar o enfoque do ordenador, que percebe a cidade como um enclave no meio ambiente, opondo-se a este por suas relações de necessidade e não de casualidade.


C

mostrar como o ordenador urbano deve, a princípio, isolar cada um dos elementos que compõe a cidade, a fim de avaliar sua real importância para a manutenção de um ambiente autorregulador.


D

explicar que o ordenador urbano deve restringir-se à avaliação dos aspectos que embasam o planejamento urbano de uma cidade, numa visão diacrônica dos problemas.


E

definir o papel do ordenador, que considera o meio ambiente como o conjunto de elementos formadores do tecido urbano, e não apenas como a natureza.