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A minha tragédiaTenho ódio à luz e raiva à claridadeDo sol...

A minha tragédia


Tenho ódio à luz e raiva à claridade

Do sol, alegre, quente, na subida.

Parece que a minh’alma é perseguida

Por um carrasco cheio de maldade!


Ó minha vã, inútil mocidade,

Trazes-me embriagada, entontecida!...

Duns beijos que me deste noutra vida,

Trago em meus lábios roxos, a saudade!...


Eu não gosto do sol, eu tenho medo

Que me leiam nos olhos o segredo

De não amar ninguém, de ser assim!


Gosto da noite imensa, triste, preta,

Como esta estranha e doida borboleta

Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...


ESPANCA, F. A minha tragédia. In:__. Sonetos. São Paulo: Global, 2005.


A partir da análise do poema apresentado, avalie as afirmações a seguir.


I. As estrofes são constituídas por versos decassílabos.

II. Cada quadra engloba duas frases, o que dificulta a construção sintática que liga um verso ao outro.

III. As posições das rimas que ocorrem no final dos versos das duas primeiras estrofes privilegiam o esquema ABAB.

IV. No primeiro verso, é perceptível um tom de positividade do eu lírico, comprovado pelo uso das palavras “luz”, “claridade”, “sol”, “alegre” e “quente”.

V. Em “Trazes-me embriagada, entontecida!...”, podemos identificar a presença da aliteração e, em “Duns beijos que me deste noutra vida, / Trago em meus lábios roxos, a saudade!...”, identificamos o uso do hipérbato.


É correto o que se afirma em


A

I e III, apenas.


B

I e V, apenas.


C

II e IV, apenas.


D

II, III, IV e V, apenas.


E

I, II, III, IV e V.