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Texto I As cantigas de amigo As cantigas de amigo surgiram...

Texto I


As cantigas de amigo


As cantigas de amigo surgiram a partir das tradições da península Ibérica. Apresentam um cenário que é costumeiramente ligado à natureza (campo, árvores, rios). O trovador assume a voz da donzela que exprime seus sentimentos pelo amigo, tendo como tema mais frequente a saudade da moça cujo amante partiu para a guerra. A linguagem e estrutura empregadas são simples, sendo marcadas pela forma paralelística, em que as coplas (conjunto de duas estrofes) apresentam versos de sentidos equivalentes.


Disponível em: http://www.acrobatadasletras.com.br/. Acesso em: 26 jul. 2017


Texto II


A meu amigo, que eu sempr’amei,

des que o vi, mui mais ca mim nem al,

foi outra dona veer por meu mal;

mais eu, sandia, quando m’acordei,

nom soub’eu al em que me del vengar

senom chorei quanto m’eu quis chorar.

Mailo amei ca mim nem outra rem,

des que o vi, e foi-m’ora fazer

tam gram pesar que houver’a morrer;

mais eu, sandia, que lhe fiz por en?

Nom soub’eu al em que me del vengar

se nom chorei quanto m’eu quis chorar.

Sab’ora Deus que no meu coraçom

nunca rem tiv[i] ¿no seu logar,

e foi-mi ora fazer tam gram pesar;

mais eu, sandia, que lhe fiz entom?

nom soub’eu al em que me del vengar

se nom chorei quanto m’eu quis chorar.


Glossário


al (em frases negativas) - mais nada

mais ca mi/m nem al - mais do que a mim mesmo ou a qualquer outra coisa

por em - por isso

rem – coisa

sandia – louca


Disponível em: https://cantigas.fcsh.unl.pt/. Acesso em: 2 set. 2021 (adaptado)


Texto III


O meu coração ateu quase acreditou

Na tua mão que não passou de um leve adeus

Breve pássaro pousado em minha mão

Bateu asas e voou

Meu coração por certo tempo passeou

Na madrugada procurando um jardim

Flor amarela, flor de uma longa espera

Logo meu coração ateu

Se falo em mim e não em ti

É que nesse momento já me despedi

COSTA, Sueli. Coração ateu. In: Coração ateu. Intérprete Maria Bethânia. Brasil. EMI-Odeon, 1975. 1 LP.


Texto IV


Nenhuma força virá me fazer calar

Faço no tempo soar minha sílaba

Canto somente o que pede pra se cantar

Sou o que soa eu não douro a pílula

Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior

Com todo o mundo podendo brilhar num cântico

Canto somente o que não pode mais se calar

Noutras palavras sou muito romântico


MUITO romântico. CAETANO VELOSO. In: Muito – Dentro da estrela azulada. 1978. LP. Acesso em: 14 set. 2021.


Texto V


Quando ele chegou,

O estranho rapaz,

seu olhar estrangeiro olhou para mim,

Eu nunca tinha ouvido a fala do amor, o frio o calor,

Eu logo entendi que quando o rapaz,

seu olhar estrangeiro olhou para mim,

Seu olhar estrangeiro falava uma língua que eu logo entendi,

senti no meu corpo uma coisa tão louca,

Que eu nunca senti


ESTRANHO rapaz. CAPINAN, José Carlos; MENDES, Roberto. Tempo Tempo Tempo Tempo. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2005. 1 DVD. Intérprete Maria Bethânia


Algumas letras de canções populares brasileiras atualizam certas marcas idiossincráticas das cantigas de amigo, apesar de estas serem de origem medieval, portanto oriundas da tradição literária galego-portuguesa.


Considerando as informações apresentadas nos textos, avalie as afirmações a seguir.


I. A letra de canção “Coração ateu” de Sueli Costa (texto III) expressa características de cantigas de amigo, como a interlocução objetiva da voz poética amiga com seu amante.

II. A letra de canção “Muito romântico” de Caetano Veloso (texto IV) tem aspectos comuns às cantigas de amigo, já que exibe excesso de romantismo do sujeito lírico masculino.

III. A letra de canção “Estranho Rapaz” de José Carlos Capinan e Roberto Mendes (texto V) dialoga com as cantigas de amigo, porque o eu-lírico feminino expressa seus sentimentos pelo amigo amante, fazendo referência a ele.


É correto o que se afirma em


A

I, apenas.


B

III, apenas.


C

I e II, apenas.


D

II e III, apenas.


E

I, II e III.