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Texto para as questões de 1 a 10.
O naufrágio
Cada dia na vida humana é único, pois o corpo está em constante transformação. Em sete anos, todas as células se renovam, e em uma vida longa, o corpo é trocado diversas vezes. Somos feitos de matéria mutável, conectados ao universo em sua essência atômica.
Viver plenamente o presente, como ensina o xamã do Yucatán, é libertar-se do peso do passado e da ansiedade do futuro — é o que a criança faz, vivendo apenas de sensações imediatas.
A morte, inevitável, causa temor, mas pode ser vista como parte de um ciclo maior. Religiões orientais falam em reencarnação e karma; outras, em vida eterna espiritual.
O pavor da morte se deve ao desconhecimento e, também, às reações do ambiente, da família, dos amigos, da sociedade em geral, daqueles com os quais se convive.
A variedade de condições em que nascemos levanta questões sobre mérito, destino e justiça. Platão e o pensamento oriental sugerem que as almas escolhem onde nascer, conforme seu grau de evolução.
A espiritualidade oriental vê a morte como troca de roupa: transitória. O budismo diz que o divino está em nós — e o despertar é reencontrar essa essência.
Ao fim da vida, resta a paz de quem, mesmo após naufragar, contempla o infinito e encontra doçura nas águas do desconhecido.
Gastei minha vida para vencer uma congênita ignorância e pequenez. Consegui um vislumbre do infinito à minha frente. Contudo, sinto-me feliz, como o poeta que revelou: “o naufragar é doce neste mar”.
Vittorio Medioli – Texto Adaptado Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/vittorio-medioli/2025/4/27/o-naufragio
No trecho “Gastei minha vida para vencer uma congênita ignorância e pequenez. Consegui um vislumbre do infinito à minha frente. Contudo, me sinto feliz...”, o uso dos tempos e modos verbais ao longo da sequência contribui para a construção de sentido, sobretudo no que diz respeito à relação entre passado e presente. Nesse contexto, a escolha desses tempos verbais indica
a simultaneidade entre as ações descritas no passado e o sentimento atual, caracterizando aspecto contínuo iniciado anteriormente.
a contraposição entre ações no pretérito perfeito do indicativo e um estado emocional atual (presente), estabelecendo contraste temporal e reflexivo.
a oposição entre ações hipotéticas e resultados prováveis, indicando futuro do pretérito e presente do subjuntivo em sequência modal.
a transição de um enunciado narrativo para outro explicativo, por meio da alternância entre presente do subjuntivo e pretérito imperfeito.
a ênfase em uma ação futura projetada desde o passado, com uso do pretérito mais-que-perfeito e futuro do presente como marco de anterioridade.