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Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 7.
Um desvairado surto criativo abreviado pelo entrave da gentileza
Passeando pelos Jardins do Palácio Imperial de Tóquio, encontrei uma luva caída no chão. Era preta, de couro, claramente feminina. Avulsa e solitária na ausência de seu par, mas sobretudo misteriosa. Suscitando toda sorte de perguntas por parte de uma mente delirante e ao mesmo tempo ociosa àquele momento: a minha.
A quem pertenceria? Por que foi deixada para trás? Ficou pelo caminho por distração? Ou numa tentativa frustrada de apagar indícios? E mais: quem usa luvas nos dias de hoje? Tudo bem, era inverno. O adorno então segue justificado, principalmente numa peripécia vivida do outro lado do planeta. Fosse por aqui, no calor da Terra Brasilis, esta narrativa pularia sem escalas do gênero noir para o fantástico.
Intrigada pelos antecedentes desconhecidos da peça, reuni alguns dos maiores detetives que existem, os meus seguidores nas redes sociais, e nos lancei o desafio de inventar versões, se possível pouco ou nada realistas.
Minha colaboração para a trama tinha uma ladra internacional de joias e o fatídico colar de pérolas Akoya que pertenceu à atriz Marilyn Monroe. Invencionice beirando o crível, posto que dias depois encontrei outra luva no mesmo quarteirão da famosa joalheria que produziu tal tesouro.
Sherlock Holmes, Miss Marple, Charlie Chan e Padre Brown se orgulhariam da minha sagacidade. Não fosse por Yoshiaki, meu amigo japonês que elucidou tudo. No Japão, quando se encontra algo perdido por alguém, é costume deixar no lugar mais à vista possível. O que acontece bastante com, errr, luvas.
Ou seja: nosso desvairado surto criativo foi abreviado por esse diminuto, delicado e brutal detalhe, também conhecido como “gentileza”. Fim.
(Bia Braune. Adaptado).
Assinale a alternativa em que há ironia.
A quem pertenceria? Por que foi deixada para trás? Ficou pelo caminho por distração? Ou numa tentativa frustrada de apagar indícios?
Intrigada pelos antecedentes desconhecidos da peça, reuni alguns dos maiores detetives que existem, os meus seguidores nas redes sociais.
Sherlock Holmes, Miss Marple, Charlie Chan e Padre Brown se orgulhariam da minha sagacidade.
Invencionice beirando o crível, posto que dias depois encontrei outra luva no mesmo quarteirão da famosa joalheria que produziu tal tesouro.