Imagem de fundo

Na linha 11, tem-se o emprego da locução conjuntiva “No...

A arte de ver o outro


Por Gilmar Marcílio


  1. Estamos perdendo consideravelmente a capacidade de estabelecer relações de acolhimento
  2. e amor. Acho triste, pois precisamos desses dois sentimentos para abraçar com a alma aquele
  3. que está próximo de nós. Porém, há algo ainda a ser feito para sustentar esses pilares
  4. emocionais. Chegamos até aqui pela persistência em colaborar. E nessa palavra está embutido
  5. um longo trajeto de renúncia ao egoístico ato de se colocar em primeiro lugar. Talvez você se
  6. pergunte: como será verdade se as pessoas estão cada vez mais pensando só em si mesmas?
  7. Acredito ser um sintoma temporário: creio que vamos nos exaurir de tanta individualidade. A
  8. história é pendular. Ora aqui, ora acolá. Só após, o equilíbrio, também provisório.
  9. Ninguém é autossuficiente o bastante para pre....indir de uma rede de apoio. Qualquer
  10. existência está intrinsecamente ligada ___ demais. A ruptura desses elos pode significar o nosso
  11. fim como espécie. No entanto, vejo sinais alentadores. Há muitos movimentos de solidariedade,
  12. largos gestos promovendo a salvação quando somos atingidos por uma tragédia ambiental, por
  13. exemplo. É comovente acompanhar tanta gente mobilizando-se em busca de uma solução ao se
  14. depararem com comunidades que passaram por grandes perdas. Dá-se a isso o nome de
  15. empatia.
  16. Penso na magnífica arte da conversação. Vêm-me ___ mente os diálogos socráticos, nos
  17. quais cada interlocutor apresenta seus pontos de vista e é acolhido pelo grupo ___ despeito de
  18. eventuais divergências. Investigar diversas visões de mundo é multiplicar as experiências, pois
  19. nos deslocamos para um local (imaginário) diferente do nosso. O narcísico não gosta dessa
  20. prática e exatamente por isso deve-se insistir nesse propósito. Como é possível fazê-lo com
  21. eficiência? Depois das triviais perguntas “olá, tudo bem, como está?”, nos despirmos um pouco
  22. da autorreferência. É o início de ricos encontros que geralmente desaguam em divagações
  23. filosóficas, transcendendo a banalidade do dia a dia. A inteligência é altamente sedutora,
  24. compete com os atrativos físicos. E há o fato de, com a passagem do tempo e o aprofundamento
  25. dos contatos, sempre termos o que acrescentar no diálogo com o amigo, o colega, o vizinho. Ver
  26. com paixão quem está ao lado é estabelecer uma ligação próxima ao princípio religioso de
  27. unicidade.
  28. Conta-se que certas tribos indígenas, conhecidas por suas admiráveis criações artísticas,
  29. nunca assinam as peças produzidas. Para eles, a glória particular não tem valor algum. Visando
  30. escapar de tal armadilha da vaidade assinam as obras uns dos outros. Há neste pacto uma
  31. indizível beleza.
  32. Veja para além dos olhos, com o corpo todo. Só assim será capaz de fazer a leitura correta
  33. de cada ser.


(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/gilmar-marcilio/noticia/2025/05/a-arte-de-ver- o-outro-cmazumqi900dq013bffhx3xa1.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Na linha 11, tem-se o emprego da locução conjuntiva “No entanto”, que carrega a ideia de _________ e poderia ser substituída por “_________”, _________ necessárias alterações no período a fim de que se mantenha a mesma relação de sentido e a correção gramatical.


Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.


A

condição – conquanto – sendo


B

condição – conquanto – não sendo


C

oposição – conquanto – sendo


D

oposição – todavia – não sendo


E

oposição – todavia – sendo