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O poema “Na hora do lobo”, de Bráulio Tavares, apresenta...

Leia o texto a seguir para responder às questões 6, 7 e 8.

Texto 2

Na hora do lobo

Quando um homem consome a madrugada

rabiscando umas folhas de papel

e ele sabe que a vida é tonelada

oscilando na ponta de um cordel;

ele sabe que o fim de toda estrada

não desagua no inferno nem no céu,

e ele pensa na feira, na empregada,

água e luz, condomínio e aluguel;

Quando um homem fatiga a voz cansada

com palavras da Torre de Babel

e ele entende que a coisa mais amada

se transmuda na coisa mais cruel;

Quando a taça em que bebe está quebrada,

tanto vidro a boiar em tanto fel

e no peito uma dor desatinada

essa dor que é tão nítida e fiel;

Quando um homem de boca tão calada

sente a mente girar num carrossel,

ele escreve através da madrugada

com cuidados de abelha que faz mel:

sua vida, talvez, foi destinada

a salvar estas folhas de papel.

Braulio Tavares, O homem artificial

O poema “Na hora do lobo”, de Bráulio Tavares, apresenta uma construção lírica que:


A

Recria mitos clássicos para representar conflitos morais da sociedade contemporânea, retomando traços do arcadismo.


B

Recupera o formalismo poético parnasiano ao tratar a criação literária como objeto de arte pela arte.


C

Valoriza o engajamento político e a coletividade, refletindo a estética modernista da segunda geração.


D

Retrata a realidade objetiva com distanciamento emocional, como nos poemas científicos do concretismo.


E

Articula sofrimento íntimo, tensão cotidiana e a valorização do fazer poético, revelando a subjetividade característica da lírica contemporânea.