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Assinale a alternativa que preenche, correta e...

E se...


Por Adriana Antunes


  1. E se eu não tivesse brigado, discutido, me entregue? E se eu tivesse feito diferente, dito
  2. de outra forma, me retirado em silêncio? E se eu não tivesse aceitado o con...elho, tivesse
  3. tomado uma decisão por mim mesmo ou ainda, se tivesse escutado o que me diziam, talvez hoje
  4. fosse diferente? Talvez eu não estaria aqui escrevendo e você não estivesse aí lendo. Não nos
  5. damos conta de que se não tivéssemos feito o que fizemos, dentro do possível que éramos na
  6. época, não teríamos chegado até aqui do jeito que chegamos. O “e se” é suspenso. O agitamos
  7. feito um papel-manteiga que se dobra diante do vento. Tentar prever algo, saber de antemão é
  8. congelar a vida.
  9. Construímos tensões ao longo do tempo. Ficamos tristes, desapontados, frustrados.
  10. Somos uma espécie de taças sendo preenchidas e esvaziadas constante e silenciosamente.
  11. Talvez pudéssemos pensar que o “e se” funciona como ruínas que carregamos dentro de nós.
  12. Somos tão cheios de impossibilidades e nos demoramos nelas feito crianças birrentas que
  13. insistem em algo que já passou. Pensar no que poderia ter acontecido se tivéssemos feito de
  14. outro modo é ficar velando ossos. O tempo revira a vida todos os dias. Precisamos aprender a
  15. passar por nossas ruínas internas sabendo por onde pisamos, aceitando o que se perdeu. Temos
  16. tanto medo de morrer, entretanto nem nos damos conta de que ao ficarmos fixados no “e se”,
  17. flertamos com o que já não tem mais vida alguma e nos assombra feito fantasmas. Alimentamos
  18. fantasmas pela escuridão que projetamos.
  19. Estar vivo é errar. Vamos inventando aos poucos. Acertando aqui, nos queimando logo
  20. ali. Pisando em falso numa memória, trope...ando numa escolha equivocada, correndo atrá...
  21. dos sonhos. Se conseguirmos olhar para o que passou e pensar que hoje faríamos de outro jeito,
  22. eis a constatação de que estamos nos movimentando. Mesmo que estejamos andando em
  23. círculos, repetindo, repetindo. Até que um dia nos damos conta de que já passamos por esta
  24. mesma paisagem muitas vezes. Agora podemos reconhecer por onde andam os buracos que nos
  25. machucam.
  26. Invocar o “e se” é permanecer voltado para trás. É ficar olhando para lápides e estátuas
  27. trincadas cobertas de musgo. Talvez pudéssemos nos permitir a perguntar: “e agora?” Todos
  28. carregamos coisas mal resolvidas dentro de nós, mas para quê? Nossos cacos da infância, restos
  29. de histórias interrompidas compõem nosso chão, é fato, mas mais do que sermos metamorfoses
  30. ambulantes, somos trajetórias e trajetos que se fazem e desfazem e se refazem o tempo todo.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes/noticia/2025/08/e-secmergkio500bq0149wrai06p6.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas nas linhas 02 e 20 de forma que todas as palavras sejam corretamente grafadas.


A

s – ç – s


B

s – ç – z


C

s – ss – z


D

c – ss – s


E

c – ç – s