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No texto II, a repetição da expressão “A voz de...” ao...

TEXTO II


Vozes-Mulheres


Conceição Evaristo


A voz de minha bisavó

ecoou criança

nos porões do navio.

Ecoou lamentos

de uma infância perdida.

A voz de minha avó

ecoou obediência

aos brancos-donos de tudo.

A voz de minha mãe

ecoou baixinho revolta

no fundo das cozinhas alheias

debaixo das trouxas

roupagens sujas dos brancos

pelo caminho empoeirado

rumo à favela

A minha voz ainda

ecoa versos perplexos

com rimas de sangue e

fome.


A voz de minha filha

recolhe todas as nossas vozes

recolhe em si

as vozes mudas caladas

engasgadas nas gargantas.

A voz de minha filha

recolhe em si

a falae o ato.

O ontem — o hoje — o agora.

Na voz de minha filha

se fará ouvir a ressonância

O eco da vida-liberdade.



(In: Poemas de recordação e outros movimentos, 3.ed., p. 24-25. Disponível em: http:/www.letras.ufmg.br/literafro/24-textos-das-autoras/923-conceicao-evaristo-vozes-mulheres

No texto II, a repetição da expressão “A voz de...” ao longo das estrofes funciona como um recurso textual que contribui tanto para a progressão quanto para a unidade temática do texto.


Considerando os mecanismos de coesão e os fatores de coerência textual, é correto afirmar que essa repetição


A

Atua como recurso de coesão referencial, substituindo termos anteriormente enunciados.


B

Desempenha papel coesivo de reiteração lexical, reforçando a continuidade temática do poema.


C

Caracteriza-se como elemento de coerência pragmática, já que garante a relação lógica entre diferentes sujeitos do texto.


D

Exemplifica o uso da coesão sequencial, pois estabelece a ordem cronológica dos fatos narrados.